Ataques e clima de insegurança nos dias que antecedem eleições no Afeganistão

Diego A. Agúndez Cabul, 18 ago (EFE).

EFE |

- Faltando apenas dois dias para as eleições presidenciais no Afeganistão, os talibãs voltaram a atuar hoje com dois atentados suicidas que deixaram pelo menos uma dúzia de mortos e um ataque com projéteis contra o Palácio Presidencial de Cabul, uma cidade em alerta e tomada totalmente pelas forças de segurança.

O atentado mais grave aconteceu na perigosa estrada que sai de Cabul rumo a Jalalabad (leste), alvo frequente dos insurgentes porque na saída da capital estão localizados vários quartéis das tropas americanas e da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), da Otan.

O suicida lançou seu veículo contra um comboio militar da Isaf e causou a morte de sete pessoas, ferindo outras quarenta, segundo diferentes fontes oficiais afegãs.

Em comunicado, a Otan assegurou que a última informação que dispõe "indica que entre os mortos há um soldado da Isaf, sete civis afegãos e dois empregados afegãos da missão da ONU no Afeganistão", este último dado confirmado pelas Nações Unidas.

A Isaf também elevou o número de feridos a 55, entre eles dois militares da Otan.

O atentado foi condenado pelo presidente afegão, Hamid Karzai, horas depois que dois foguetes cairam nas imediações de seu Palácio sem causar vítimas.

Segundo uma fonte policial consultada pela Efe, outro ataque suicida acabou com as vidas de dois civis e três soldados afegãos e feriu a outras cinco pessoas na região centro-meridional de Uruzgan, onde os talibãs têm uma ampla presença.

Este mês já se registraram vários ataques com foguetes lançados desde os arredores contra Cabul, uma cidade relativamente isolada do conflito armado e cujos habitantes ainda lembram o martírio ao que foram submetidos durante a guerra civil na década de 1990 e convivem quase diariamente com os atentados.

Ataques como o de hoje contra o comboio da Isaf e outros contra instalações militares ou sedes oficiais causam quase sempre um alto número de vítimas entre civis que se encontram nas proximidades.

Às vésperas das eleições, Cabul se encontra tomada por milhares de soldados do Exército, policiais e guardas privados de segurança armados com metralhadoras para proteger os edifícios importantes.

A zona das embaixadas conta com diversos pontos de controles e os edifícios estratégicos possuem muros altos, com alambrados e grandes blocos de cimento para se proteger dos atentados talibãs, que demonstraram sua capacidade de golpear a cidade.

Segundo o chefe do serviço secreto afegão, Amrullah Saleh, "a segurança é como o pão, um bem que se necessita sem cessar. Será para sempre nossa preocupação e é um bem que necessitaremos sempre.

Nossas medidas e esforços não vão parar após as eleições".

A presença em massa das forças da ordem não muda a percepção dos afegãos: segundo um recente estudo do instituto americano IRI, a segurança é um dos dois principais problemas do Afeganistão para 56% dos cidadãos consultados, 21 pontos acima da situação econômica.

"Eu a tenho (a pistola) por segurança. Aqui em Cabul há roubos e sequestros constantes", relata a Efe um tadjique de 22 anos preocupado com a alta da criminalidade, enquanto empunha uma Beretta italiana de calibre 9 mm no interior de um carro.

De acordo com diferentes relatórios, as estradas afegãs estão infestadas de bandidos que organizam emboscadas a caminhoneiros e viajantes.

"Não me sinto seguro, claro que não. A Polícia não está ativa e não está equipada para resolver os problemas. Os sequestros e roubos de Cabul são perpetrados por gente com uniforme. A corrupção é de 100%", sustenta o empresário Mohamad Nader no bairro de Makroyan, na capital.

Perante a ameaça talibã e o clima de insegurança generalizado, as embaixadas estrangeiras em Cabul se esforçam em aconselhar a seus cidadãos que tripliquem as precauções, sobretudo durante o período eleitoral.

"Convém sair de casa apenas o imprescindível e se vestir de modo que não chame a atenção. O nível de alerta é permanente e não se deve baixar a guarda", disse à agência Efe uma fonte diplomática.

No Afeganistão há 100 mil policiais, mas a maioria é mal formada e equipada, têm salários baixos e quase não conta com a infra-estrutura adequada, expôs a Efe o porta-voz da missão policial da UE no Afeganistão (Eupol), Andrea Angeli.

Só na capital, há cerca de 8.500 agentes encarregados de manter a ordem, mas segundo Angeli são precisos muitos mais em uma cidade assolada pelos roubos e sequestros, com os empresários e os estrangeiros como alvos principais. EFE daa/fk

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