Cerca de 50 pessoas foram mortas nesta quarta-feira no Paquistão em dois ataques de mísseis disparados de drones (aeronaves dirigidas por controle remoto), segundo autoridades locais.

Um dos ataques atingiu um acampamento do Taleban em uma área florestal do Waziristão do Sul, próximo da fronteira com o Afeganistão, e deixou 10 militantes mortos. Há suspeitas de que os mísseis tenham sido disparados por aeronaves americanas.

Segundo fontes do governo local, seis mísseis foram disparados e destruíram o acampamento dos militantes.

Horas depois, autoridades afirmam que 40 supostos militantes morreram quando cinco mísseis atingiram um comboio de carros em uma estrada que liga a cidade de Ladha a de Sararogha, na mesma região fronteiriça.

De acordo com as autoridades, todos os carros foram destruídos e a maioria dos mortos seriam militantes do Taleban e de outras organizações proibidas da província de Punjab, no oeste do país.

Os ataques desta quarta-feira marcam um dos dias mais fatais para o Taleban desde o início dos ataques com drones, em agosto de 2008.

Alvo

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad, Syed Shoaib Hasan, os militantes que foram alvo destes ataques eram leais ao principal comandante do Taleban, Baitullah Mehsud.

Autoridades americanas acreditam que ele estaria oferecendo refúgio a membros do Taleban e da rede al-Qaeda na região. O governo dos Estados Unidos está oferecendo US$ 5 milhões (R$10 mi) pela captura de Mehsud.

Hasan afirma ainda que o crescente número de ataques com drones está provocando insegurança entre os militantes do Taleban subordinados a Mehsud na região. O Exército paquistanês prepara uma grande ofensiva contra o comandante.

Desde agosto do ano passado, já foram realizados dezenas de ataques de drones supostamente americanos, e a maioria deles teve como alvo as áreas tribais do Waziristão do Norte e do Sul, matando centenas de militantes e civis.

No último mês, dois ataques supostamente usando drones, atingiram a mesma região em um intervalo de horas, deixando mais de 60 mortos - entre eles vários militantes que estavam reunidos no funeral daqueles mortos no primeiro ataque.

O Paquistão já criticou publicamente os ataques com aeronaves deste modelo, argumentando que esses incidentes incentivam o apoio aos militantes.

O Exército americano não confirma estes ataques com frequência, mas acredita-se que as Forças Armadas e a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) no Afeganistão seriam as únicas instituições capazes de enviar drones para a região.

Em março, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que seu governo consultaria o Paquistão sobre os ataques com drones.

Leia mais sobre Paquistão

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.