Cerca de cem pessoas foram mortas no norte da Nigéria devido a ataques de militantes islâmicos, que se dizem integrantes do Talebã. Nos últimos dois dias os militantes lançaram ataques com granadas e armas contra delegacias de polícia e prédios do governo em quatro Estados de maioria muçulmana, Bauchi, Yobe, Kano e Borno.

Uma jornalista da BBC contou 50 corpos, a maioria de militantes, perto de um quartel da polícia em Maiduguri, no Estado de Borno, onde centenas de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas. Há informações não confirmadas de mais mortes em Maiduguri, capital de Borno, além de uma fuga da cadeia da cidade.


Militantes islâmicos foram presos nesta segunda-feira / AFP

Testemunhas relataram à BBC que, em Potiskum, no Estado de Yobe, o tiroteio durou horas e uma delegacia de polícia foi incendiada. Estados vizinhos aos quatro Estados atingidos já estão mobilizando suas forças de segurança para evitar que os ataques se espalhem.

Em Bauchi foi determinado o toque de recolher. No domingo, pelo menos 39 pessoas morreram nos conflitos.

Escolas ocidentais

Alguns dos militantes seguem um líder religioso, Mohammed Yusuf, que faz campanha contra escolas que seguem o estilo ocidental. Para Yusuf, esse tipo de educação vai contra os ensinamentos islâmicos.

Seguidores de Yusuf em Bauchi são conhecidos como Boko Haram, que significa "Educação é proibida". Eles atacaram uma delegacia de polícia no domingo depois que seus líderes foram presos.

Segundo correspondentes, este seria um grupo religioso menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.

Também foi registrado um ataque em Wudil, a cerca de 20 km de Kano, a maior cidade do norte da Nigéria e capital do Estado de mesmo nome. Em Wudil, três pessoas foram mortas e outras 33 foram presas.

Militantes, gritando a frase "Deus é Grande", também atacaram a delegacia de polícia de Potiskum durante a madrugada. Testemunhas afirmam que a delegacia de polícia e prédios vizinhos foram demolidos.

A lei islâmica, a Sharia, foi imposta no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

Corpos

Testemunhas afirmam que os corpos de civis estão espalhados pelas ruas de Maiduguri, depois que estas pessoas foram arrastadas para fora de seus carros e baleadas.

A polícia e Exército estão patrulhando as ruas, disparando para o alto, aparentemente tentando retirar civis da área.

A segurança também foi aumentada no Estado de Plateau, ao sul de Bauchi, onde centenas de pessoas foram mortas em choques entre muçulmanos e cristãos em 2008.

A correspondente da BBC na Nigéria Caroline Duffield, afirmou que a tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas.

Mas, os últimos episódios de violência não ocorreram entre comunidades, envolveram jovens de grupos religiosos, que se armaram e atacaram a polícia, disse a correspondente.

Grupos religiosos menores da Nigéria também já alegaram envolvimento com o Talebã, indivíduos também foram acusados de ligação com a Al-Qaeda, disse Duffield.

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