Ataques de Israel em Gaza atingem a ONU, a imprensa e um hospital

Os tanques israelenses bombardearam nesta quinta-feira a cidade de Gaza, atingindo prédios da ONU, da imprensa e de um hospital, o que provocou a a indignação do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para quem já existem as condições para um cessar-fogo.

AFP |

Os blindados, apoiados pela aviação, entraram na manhã desta quinta-feira, pela primeira vez, em um bairro da cidade de Gaza, onde os soldados hebreus travaram violentos combates com milicianos palestinos desta área controlada pelo movimento radical Hamas.

Durante a manhã, o Exército israelense intensificou os ataques aéreos e os bombardeios com blindados.

Obuses disparados pelos tanques israelenses atingiram um complexo das principal agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos, a UNRWA, que suspendeu as atividades na região. Três funcionários foram feridos.

Segundo um diretor da UNRWA, os armazéns do complexo pegaram fogo, o que provocou a perda de centenas de toneladas de ajuda humanitária.

Também foi declarado um incêndio no hospital Al-Quds, que depende do Crescente Vermelho (Cruz Vermelha no mundo palestino), depois que o edifício foi atingido por projéteis israelenses.

Dois cinegrafistas palestinos, que trabalham para o canal árabe de Abu Dhabi, foram feridos em uma ação contra o prédio "Al Shuruq" da cidade de Gaza, que abriga vários escritórios de meios medios de comunicação árabes e internacionais.

O edifício atingido pelo ataque de Israel tem escritórios da agência Reuters, dos canais de televisão Fox, Sky e RTL, além das emissoras árabes Al-Arabiya e MBC.

Ban Ki-moom, que desembarcou nesta quinta-feira em Tel Aviv como parte de uma viagem pelo Oriente Médio para tentar alcançar uma solução ao conflito, se disse ultrajado com o bombardeio israelense contra instalações da ONU.

"Fiz saber que protesto firmemente e que estou escandalizado. Já pedi uma explicação detalhada ao ministro da Defesa e ao ministro das Relações Exteriores", declarou Ban à imprensa em Tel Aviv.

Também considerou que o elevado número de vítimas deixado pela ofensiva militar israelense na região atingiu 'proporções insuportáveis'.

Em função disso, enfatizou que já existem condições para um cessar-fogo em Gaza.

"Creio que os elementos estão dados para que a violência cesse já. Chegou o momento de acabar com a violência e de mudarmos de forma fundamental a dinâmica em Gaza, retomando as negociações de paz para conseguir uma solução de dois Estados que é a única via para conseguir uma situação duradoura em Israel", afirmou.

O comissário europeu de Ajuda Humanitária, Louis Michel, também se declarou consternado com o ataque israelense contra a agência da ONU e primeiro-ministro britânico Gordon Brown condenou veementemente a ação militar, a qual classificou de inaceitável.

Desde o início da ofensiva israelense em 27 de dezembro, 1.070 palestinos morreram - incluindo 355 crianças e 100 mulheres - e mais de 5.000 foram feridos, segundo o último balanço divulgado pelo diretor dos serviços de emergência de Gaza, o doutor Muawiya Hasanein.

No mesmo período, os disparos de foguetes contra o sul de Israel mataram quatro pessoas. No total, 10 militares e três civis israelenses faleceram desde o começo do conflito.

Os grupos armados palestinos também prosseguiram com os lançamentos de foguetes contra o sul de Israel. De acordo com o Exército, 14 foguetes disparados a partir da Faixa de Gaza caíram na manhã desta quinta-feira no país, sem provocar vítimas. Uma casa foi atingida em Sderot, a apenas cinco quilômetros da Faixa de Gaza.

Ao mesmo tempo que os bombardeios se intensificam, os esforços diplomáticos também ganham força.

Ban Ki-moon se reunirá com a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, com o primeiro-ministro Ehud Olmert e o presidente Shimon Peres, antes de viajar a Ramallah (Cisjordânia) na sexta-feira para um encontro com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

A Assembléia Geral da ONU vai realizar uma reunião nesta quinta-feira sobre a resolução 1860 do Conselho de Segurança, aprovada semana passada e que pede um cessar-fogo em Gaza.

A resolução pede a instauração de um "cessar-fogo imediato, duradouro e plenamente respeitado que leve à retirada total das forças israelenses da Faixa de Gaza".

O emissário israelense Amos Gilad viajou ao Cairo para discutir com o diretor dos serviços de inteligência egípcios, general Omar Suleiman, sobre um plano egípcio de fim das hostilidades.

O Egito afirma ter obtido o aval do Hamas ao plano, mas o movimento radical islamita não confirmou a informação.

bur-ezz/fp

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