Ataques de Israel deixam pelo menos 300 mortos na Faixa de Gaza

GAZA - Israel realizou neste domingo e na madrugada desta segunda-feira (hora local) novos ataques aéreos contra instalações do Hamas na Faixa de Gaza e prepara uma possível invasão do território com tropas terrestres. Três dias seguidos de bombardeios israelenses deixaram um saldo, segundo fontes médicas palestinas, de pelo menos 300 mortos. O número de feridos pode chegar a 900.

Redação com agências internacionais |

Além de supostas bases militares palestinas, um avião israelense bombardeou na madrugada desta segunda-feira (hora local) a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do grupo Hamas, sem deixar vítimas, disseram testemunhas. Cinco foguetes foram lançados na instituição, que fica no centro da cidade.

Os aviões israelenses também atacaram 40 túneis na fronteira de Gaza com o Egito. As passagens, segundos os militares de Israel, eram utilizadas para o contrabando de armas.

Após essa ação, dezenas de palestinos cruzaram para o Egito através de buracos feitos com explosivos e escavadeiras no muro da fronteira. Atiradores palestinos trocaram tiros com a polícia egípcia, que, segundo testemunhas, prendeu várias pessoas que tentavam deixar Gaza.

Invasão terrestre

Nos limites da Faixa de Gaza, tanques israelenses estão posicionados para adentrar o território, onde vivem 1,5 milhão de palestinos. O gabinete de Israel aprovou a convocação de 6,5 mil reservistas.

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, que pretende se tornar a premiê nas eleições de 10 de fevereiro, aparentemente descartou uma invasão em grande escala à Faixa de Gaza, uma ação que restauraria o controle israelense na região. "O nosso objetivo não é reocupar a Faixa de Gaza," disse ela a um programa da rede norte-americana NBC. Questionada se Israel derrubaria o governo do Hamas em Gaza, Livni respondeu: "Não agora."


Palestinos feridos fogem para o Egito / Foto: AP

Nova trégua

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, pediu neste domingo um cessar-fogo na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, com o apoio da comunidade internacional, por considerar que não existe uma solução militar para o conflito.

"A comunidade internacional, as Nações Unidas, a Liga Árabe, o Conselho de Segurança da ONU e também o Quarteto (para o Oriente Médio, formado por Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia) devem promover um meio para avançar na direção de um novo cessar-fogo", declarou Serry, em entrevista à AFP.

"Queremos que a violência cesse imediatamente. Não acreditamos que exista uma solução militar para a situação em Gaza", continuou.

"Eu mesmo estou em contato com meus colegas da região e outros enviados para coordenar os esforços para apoiar os apelos pelo fim da violência e pela renovação do cessar-fogo, que poderia se traduzir em uma melhora mais duradoura da situação em Gaza", acrescentou o enviado da ONU.

Ações continuam


AP
Soldados em Gaza
Soldados israelenses em Gaza

Mark Regev, porta-voz do premiê israelense Ehud Olmert, afirmou que Israel continuará com a campanha "até obter um novo ambiente de segurança, até a população não mais viver sob o terror e o medo de foguetes."

Questionado sobre quanto tempo a operação duraria, Avi Benayahu, porta-voz militar, afirmou à TV israelense que a ação poderia levar "ainda muitos dias."

O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum fez um chamado para que os grupos palestinos usem em resposta "todos os meios disponíveis, incluindo operações de martírio," numa referência a atentados suicidas em Israel.

Vítimas

AP
Destruição na Faixa de Gaza
Destruição na Faixa de Gaza

Israel afirmou que a grande maioria dos palestinos mortos era de militantes. O Hamas confirmou que 180 dos seus membros foram mortos. Um israelense foi morto por foguete atirado de Gaza.

Tzipi Livni declarou que Israel está fazendo o máximo possível para atingir somente o Hamas e militantes, mas que "infelizmente numa guerra às vezes os civis também pagam o preço."

Analistas israelenses afirmam que os líderes do país, conscientes do risco de reocupar a Faixa de Gaza antes de uma eleição, estão tentando com os ataques forçar o Hamas a uma trégua de longo prazo.

Na Cisjordânia, soldados israelenses abriram fogo contra manifestantes palestinos que atiravam pedras. Autoridades médicas disseram que dois palestinos foram mortos.

Em Hebron, forças palestinas leais ao presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, atiraram e feriram três pessoas durante um ato de grupos islâmicos a favor do Hamas.

No Cairo, Abbas acusou o Hamas de detonar os ataques israelenses, ao não ampliar a trégua com Israel.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas defendeu um cessar-fogo.

Grupos de ajuda humanitária disseram temer uma crise na Faixa de Gaza. Nos hospitais da região, os suprimentos estão no fim, devido ao bloqueio israelense ao território.

Resposta a ataques do Hamas

Israel informa que a campanha é uma resposta aos ataques com foguetes do Hamas, que se intensificaram depois do fim de uma trégua de seis meses. Durante o final de semana, militantes dispararam cerca de 80 foguetes contra Israel, segundo serviços de emergência.



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