Ataques de hackers antecedem eleições automatizadas nas Filipinas

Eric San Juan. Manila, 12 jan (EFE).- A onda de ataques de hackers a sites governamentais espalhou sérias dúvidas sobre a capacidade do Governo de proteger informação confidencial, a alguns meses das primeiras eleições automatizadas nas Filipinas, em maio.

EFE |

O ministro da Saúde filipino, Francisco Duque, apareceu no site de seu próprio ministério soprando um "maço" de pênis, depois que um hacker manipulasse uma foto dele na qual incentivava os cidadãos a usar buzinas e línguas-de-sogra, em vez dos tradicionais e perigosos fogos de artifício, durante as festas de fim de ano.

Desde que aconteceu esta ação, em 17 de dezembro passado, os sites de Coordenação de Desastres, o Ministério de Desenvolvimento e de Bem-estar Social, e o Ministério do Trabalho sofreram incursões de hackers e tiveram que suspender temporariamente os serviços.

O Ministério da Justiça nega que estas sabotagens possam ser um teste para manipular os resultados das eleições presidenciais, legislativas e municipais de 10 de maio, as primeiras em que serão usados sistemas eletrônicos para a apuração dos votos.

"Os que afirmam isso são criativos demais. Se fosse assim, os hackers não se limitariam a alterar as páginas do Governo", argumentou a ministra da Justiça, Agnes Devanadera.

No entanto, a ministra reconheceu que o Escritório Nacional de Investigação (NBI, em inglês) trabalha nessa possibilidade.

"Os hackers parecem especialistas, mas o NBI tem um departamento especializado nesses assuntos e está investigando", disse Devanadera, minimizando a importância dos ataques.

O porta-voz presidencial, Gary Olivar, expressou a preocupação do Executivo com a onda de sabotagens e disse que a Comissão Eleitoral está tomando as medidas oportunas para garantir a segurança do pleito.

O porta-voz da Comissão Eleitoral, James Jiménez, disse que o software que será usado para as eleições é muito difícil de ser invadido, e insistiu em que seus especialistas em informática examinaram todos os detalhes do sistema de proteção.

"Temos experiência com protocolos para defender a rede e temos confiança em que sairá bem nas eleições de maio", acrescentou Jiménez.

David de Castro, especialista em proteger empresas privadas contra ataques deste tipo, disse à Agência Efe que "é mais que possível que consigam manipular os resultados, principalmente levando em conta que os últimos ataques não parecem muito sofisticados".

Para Castro, o sistema escolhido pela Comissão Eleitoral é estéril diante da ação dos hackers internos.

"Nas grandes companhias, a maior parte dos ataques vem de dentro e a Comissão não nos disse como vai se defender dessa ameaça, o sistema não será suficiente para garantir a segurança, porque é possível manipular os dados muito facilmente", disse o especialista.

Jason Ocampo, especialista de informática do canal de televisão "GMA 7", disse que "as bases de dados usadas nas eleições estarão interligadas através da internet, de modo que sempre existe o risco de que um hacker consiga entrar e manipule os resultados. É muito fácil, se conseguirem interceptar a transmissão".

Um grupo de hackers invadiu cerca de 30 sites governamentais em 2007, e o Executivo declarou então sua intenção de atualizar seu sistema para torná-lo menos vulnerável.

Os casos de ataques de hackers são frequentes nas Filipinas, onde um estudante criou um dos vírus mais devastadores da história, há dez anos, o denominado "I Love You", que infectou 50 milhões de computadores em todo o planeta. EFE esj/an

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