Ataques contra peregrinos xiitas no Iraque deixam mortos e feridos

Atentados ocorrem em cerimônia que lembra a morte do neto de Maomé e ressaltam fragilidade local pouco antes da retirada dos EUA

iG São Paulo |

Três ataques de bombas atingiram vários peregrinos xiitas que comemoravam nesta segunda-feira um importante ritual religioso, deixando pelo menos 30 mortos e dezenas de feridos, informou a polícia.

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Reuters
Residentes e soldados iraquianos inspecionam local de ataque em Hilla, no Iraque

Os ataques ocorreram no auge da Ashura, que lembra a morte do neto do profeta Maomé, imã Hussein, e define o islamismo xiita, e ressaltaram a fragilidade da segurança iraquiana a menos de um mês da retirada dos soldados americanos do país .

Os peregrinos geralmente são alvos de extremistas sunitas que acreditam que os xiitas não são muçulmanos. Após a queda do regime majoritariamente sunita de Saddam Hussein, os xiitas retomaram o direito de expressar suas crenças livremente, e desde então, comemorações anuais têm atraído um grande número de participantes, apesar das ameaças de violência.

No primeiro ataque, um carro-bomba explodiu no final de uma procissão xiita, deixando 16 mortos, principalmente mulheres e crianças, e ferindo outras dezenas, segundo a polícia e testemunhas. O ataque deixou poças de sangue, sapatos e roupas rasgadas pelas ruas.

"Uma explosão forte e horrível ocorreu atrás de nós, e fumaça se espalhou pela área", disse Hadi al-Mamouri, que estava participando do ritual. "Eu só consegui ouvir gritos de mulheres e pude ver os corpos de mulheres e crianças nas ruas."

Um segundo ataque envolvendo duas bombas à beira da estrada matou ao menos seis pessoas em outra procissão em Hilla, deixando também mais feridos, segundo fontes policiais.

Autoridades na cidade de Hilla, a 100 km de Bagdá, impuseram a proibição da circulação de carros para evitar ataques.

Em Bagdá, ao menos 11 foram mortos e 38 ficaram feridas devido a bombas colocadas em beira de estrada que tinham como alvo pereguinos xiitas em três regiões diferentes, informaram a polícia e fontes hospitalares.

Os ataques ocorreram no momento em que os últimos 10 mil soldados norte-americanos se preparam para a retirada até o final de 2011, mais de oito anos depois da invasão que derrubou o ditador sunita Saddam Hussein e permitiu a ascensão da maioria xiita no país.

Na segunda-feira, um grupo insurgente sunita ligado ao partido Baath, de Hussein, que foi banido, prometeu continuar os ataques contra equipes americanas que permanecessem no Iraque após a retirada das tropas.

Reuters
Xiitas iraquianos cobertos de sangue participam da cerimônia Ashura, na qual se autoflagelam

Com AP, Reuters e BBC

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