Ataques contra cristãos deixam cinco mortos em Bagdá

Em meio à onda de atentados, integrantes da comunidade cristã do Iraque pensam em deixar o país

iG São Paulo |

Diferentes ataques contra casas de cristãos em Bagdá deixaram pelo menos cinco mortos e 18 feridos nesta quarta-feira, informaram fontes do Ministério do Interior do Iraque. Pelo menos 11 bombas explodiram nos bairros de Al Wehda (centro de Bagdá), Camp Sara (sul), Al Dura (sul), Al Ghadir (sudeste) e Al Mansur (oeste).

Os atentados contra a comunidade cristã no Iraque aconteceram horas depois de o primeiro-ministro interino iraquiano, Nouri al-Maliki, ter encorajado seus compatriotas cristãos a não abandonarem o país mesmo após o atentado de 31 de outubro, que atingiu a igreja de Sayida An Nayá (Nossa Senhora do Socorro, em árabe) e terminou em 52 mortes.

© AP
Moradores observam danos causados por explosão em Bagdá, no Iraque

Com janelas destruídas e paredes danificadas por explosões e balas, a igreja já reabriu suas portas e alguns fiéis retornaram para assistir a mais um serviço religioso. Mas enquanto a missa era celebrada em Bagdá, um importante clérigo iraquiano em visita a Londres, o arcebispo Athanasios Dawood, convocava cristãos iraquianos a abandonar o Iraque por causa dos perigos que ameaçam a comunidade.

"Se ficarmos, eles nos matarão", disse ele, após falar a uma congregação de cristãos ortodoxos iraquianos durante uma missa na capital britânica. "O que é melhor, fugir ou ficar? Ser morto ou ficar vivo? Mas quando eu digo a eles que saiam, meu coração está machucado", disse Dawood.

O bispo católico siríaco de Bagdá, Ignatius Metti Metok, disse que perdeu metade de sua congregação habitual no ataque da semana passada contra a sua catedral. Ele disse que os fiéis lhe perguntam, "você quer que fiquemos após o que aconteceu? Pode acontecer de novo, e quem vai nos proteger?"

"Dizemos a eles, a Igreja é contra a emigração. Temos de ficar aqui, quaisquer que sejam os sacrifícios, para sermos testemunhas da nossa fé. Mas as pessoas são humanas e não podemos impedi-las de partir".

Políticos cristãos ficaram furiosos com sugestões de que sua comunidade deveria ir embora, e de que países ocidentais deveriam abrir suas portas para cristãos em êxodo do Iraque. "Esta é nossa casa, vivemos com os muçulmanos há séculos, este é nosso destino e vamos permanecer juntos", disse o político cristão Yonadam Kanna, um influente membro do parlamento iraquiano.

"Isto é quase um paralelo com o que a Al-Qaeda está fazendo contra nós. A Al-Qaeda está tentando nos expulsar e vocês estão querendo me expulsar. Isto é contra meu interesse, contra o meu povo, contra o meu país", disse Kanna.

Ele ficou particularmente indignado com o que acredita ser um plano do governo francês de convidar mil cristãos iraquianos para viver na França. "Isto é contra os interesses dos cristãos, joga os muçulmanos contra nós e é um abandono dos valores europeus, que consideram pessoas enquanto seres humanos e não enquanto cristãos ou muçulmanos".

Oferta de refúgio

Na segunda-feira, a embaixada francesa em Bagdá organizou voos de emergência para levar à França cerca de 40 feridos no ataque contra a igreja e alguns acompanhantes. Mas o embaixador francês em Bagdá, Boris Boillon, ressaltou que a evacuação é motivada por razões médicas e humanitárias, e que a oferta de mil vistos a iraquianos em geral - e não apenas a cristãos - é parte de um programa europeu iniciado em 2008.

"A França tem uma longa tradição, de centenas de séculos, de oferecer refúgio a pessoas em perigo", disse. "Mas queremos que o Iraque mantenha sua identidade plural, e que a presença dos cristãos seja parte dessa identidade".

Os cristãos vivem no Iraque há cerca de dois mil anos, mas desde 2003 a comunidade vem se reduzindo dramaticamente. Não há dados oficiais, mas segundo estimativas, o número caiu de 900 mil para a metade.

"Antes da mudança no regime, há sete anos, não tínhamos massacres como este", disse o bispo Metti Metok. "Claro que estamos preocupados com o futuro da nossa comunidade. Embora nós os encorajemos a ficar, eles nos perguntam: você garante as nossas vidas?"

Com EFE e BBC

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