Ataques com quase 50 mortos reavivam violência sectária no Iraque

Amer Hamid. Bagdá, 10 ago (EFE).- Pelo menos 46 pessoas morreram hoje e 242 ficaram feridas em quatro atentados registrados em Bagdá e perto da cidade de Mossul, onde os iraquianos voltaram a enfrentar o medo de uma nova onda de violência sectária no país.

EFE |

Os atentados mais graves aconteceram próximo a Mossul, 400 quilômetros ao norte de Bagdá. No local, 30 pessoas morreram e 160 ficaram feridas na explosão de dois caminhões-bomba, segundo fontes policiais.

Os ataques aconteceram perto de uma mesquita xiita num vilarejo a 20 quilômetros de Mossul. As explosões foram tão fortes que destruíram 40 casas.

Em Bagdá, duas bombas explodiram em dois pontos diferentes da capital que são de maioria xiita. Uma delas matou nove pessoas e deixou 36 feridos. A outra matou sete e feriu 46.

Nenhum grupo assumiu a autoria dos atentados, mas as suspeitas apontam para grupos de rebeldes vinculados à Al Qaeda, responsáveis pelos mais graves atentados ocorridos no Iraque nos últimos meses.

As bombas que explodiram hoje se somam às que foram detonadas na sexta-feira passada em frente a um templo xiita perto de Mossul.

Nesse ataque, 38 pessoas morreram e 267 ficaram feridas, de acordo com as autoridades.

O Iraque passou a viver uma nova de atentados depois que, no fim de junho, as tropas americanas entregaram às autoridades iraquianas a segurança dos centros urbanos, com o objetivo de se concentrar nas operações no interior do país.

Desde essa retirada parcial, mais de 200 iraquianos morreram em diferentes atentados, entre estes 38 pessoas vítimas de um ataque registrado na cidade de Talafar (norte) no último dia 9 e outras 29 que estavam perto de mesquitas xiitas atacadas em Bagdá em 31 de julho.

O aumento da violência, que atingiu principalmente os xiitas, maioria no Iraque, faz crescer o temor do retorno da violência sectária que entre 2006 e 2007 esteve a ponto de levar o país a uma guerra civil.

"Há partidos e lideranças políticas que defendem o sectarismo e que estão por trás destes ataques", disse à Agência Efe o analista político Raed al-Aaburi, sem citar grupos políticos específicos.

"Eles querem usar o medo e o agravamento da situação de segurança para que o cidadão iraquiano volte à trincheira do sectarismo", acrescentou.

Alguns, como Azil al-Nayifi, governador da província de Ninawa, cuja capital é Mossul, acham que por trás dos ataques na região há grupos curdos, que dominam o norte do país e são acusados por turcomanos e árabes de usar a força para expandir seu domínio.

As explosões de hoje aconteceram um dia depois que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, pediu à população que não caia na tentação do sectarismo e se una num esforço nacional de reconstrução.

"Estamos num momento em que a união de todos os esforços é necessária para construção do país", afirmou Maliki. "Não vamos permitir o retorno da violência sectária", acrescentou. EFE ah/fk/sc

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