Ataques com mortes marcam início das legislativas no Afeganistão

Dados preliminares mostraram que 3,6 milhões de votos foram contabilizados nas eleições parlamentares neste sábado

iG São Paulo |

Os afegãos foram às urnas neste sábado para votar em eleições legislativas marcadas pelas ameaças de atentados dos talibãs. Seis pessoas morreram em novos ataques neste sábado com foguetes perto de locais de votação no norte e leste do Afeganistão. Três pessoas morreram e outra ficou ferida na província de Kunar (leste). Um ataque com morteiro na província de Takhar, no norte do país, também matou um homem e feriu dois de seus filhos.

Na noite de sexta, em um ataque anterior com foguetes matou duas pessoas e feriu uma terceira na província de Nangarhar, no leste. Além disso, Toryalai Wisa, o governador da província de Kandahar, no sul, reduto dos talibãs, anunciou ter escapado da explosão de uma bomba na passagem de seu veículo.

Durante a madrugada, um foguete foi disparado contra o centro de comando da Otan em Cabul, horas antes da abertura das urnas para as eleições legislativas no Afeganistão, informou uma porta-voz da Aliança Atlântica. O ataque não causou vítimas.

Na sexta-feira, os talibãs sequestraram 19 pessoas - um candidato às eleições legislativas, 10 partidários de outro candidato e oito funcionários da comissão eleitoral - pondo em prática sua ameaça de realizar atentados contra a votação neste sábado, o que faz as forças de segurança permanecer em alerta máximo.

Os islamitas, alçados em armas desde o final de 2001 quando foram expulsos do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, reivindicaram o sequestro de Hayat, segundo mensagem de texto enviado a um jornalista da AFP pelo porta-voz Zabihulah Mujahid.

Aproximadamente 92% dos locais de votação se encontram abertos no Afeganistão, ou seja, mais que os 85% anunciado anteriormente, indicou o chefe da Comissão Eleitoral Independente, Fazil Ahmad Manawi. Dados preliminares mostraram que 3,6 milhões de votos foram contabilizados nas eleições parlamentares neste sábado. Esse número diz respeito a 40% dos votos em todas as zonas eleitorais, mas 1.561 centros de votação dos 6.835 planejados não puderam ser abertos por temores sobre segurança.

Ameaça

Os talibãs ameaçaram na quinta-feira executar ataques durante a votação, em particular contra as forças de segurança e os funcionários que trabalham nos locais de votação. Também defenderam o boicote às eleições e convocaram a "guerra santa e resistência" contra os "invasores estrangeiros".

O presidente afegão, Hamid Karzai, no entanto, pediu na sexta-feira aos afegãos que não deixem de votar. "Tenho a esperança de que nosso povo, em todos os cantos do país, em todas as cidades e em todas as províncias, vá aos centros eleitorais para votar por seus candidatos preferidos, para que seu voto conduza a uma maior estabilidade do país", declarou.

A campanha eleitoral foi paralela à da intimidação. Pelo menos três candidatos foram mortos nas últimas semanas e dezenas de ataques foram cometidos contra simpatizantes de diversas correntes políticas.

Os civis são as principais vítimas do conflito, enquanto as forças internacionais já registraram mais de 500 mortos desde o início do ano, contra 521 em todo 2009. O panorama da violência não mudou, apesar do envio nos últimos meses de 30 mil soldados adicionais por Washington.

"As eleições não serão perfeitas, mas tenho certeza que serão melhores que as do ano passado", disse Staffan de Mistura, representante especial da ONU no Afeganistão.

Poucos dias antes das eleições, 3 mil títulos eleitorais falsos, produzidos no Paquistão, foram apreendidos na província de Ghazni. Para tentar evitar fraudes, os eleitores têm de marcar o dedo com tinta indelével.

No total, 270 mil observadores afegãos e estrangeiros vão supervisionar a votação, enquanto a segurança ficará a cargo de 400 mil soldados do país e internacionais.

Os resultados oficiais definitivos devem ser divulgados apenas no dia 31 de outubro.

Assembleia

A Assembleia afegã reúne um conjunto variado de políticos, que vai de antigos senhores da guerra de resistência contra a União Soviética e seus ex-adversários comunistas, passando por tecnocratas formados no Ocidente e personalidades da sociedade civil.

Apesar de ser considerada uma instituição sem muitos poderes, que apenas registraria as decisões do Executivo, a Assembleia vetou em várias ocasiões nos últimos meses os ministros propostos pelo presidente Karzai.

Mais de 2.500 candidatos disputam as 249 cadeiras da Wolesi Jirga, a câmara baixa do Parlamento, nessas segundas eleições legislativas por voto realizadas desde a queda dos talibãs.

Estão habilitados a votar mais de 10,5 milhões de eleitores.

*Com Reuters e AFP

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