Ataques aéreos mataram 38% de crianças vítimas de conflito afegão em 2009

Cabul, 24 fev (EFE).- A Organização das Nações Unidas (ONU) informou hoje que que 131 das 346 crianças mortas (37,8%) por causa do conflito afegão em 2009 foram vítimas de ataques aéreos feitos por tropas internacionais.

EFE |

Por meio de um comunicado, a missão da ONU no Afeganistão (Unama) especificou ainda que outras 22 crianças morreram no país durante "operações noturnas", mas não declarou se foram forças estrangeiras que executaram as ações.

Segundo a nota, 128 menores de idade perderam a vida em meio a ataques promovidos por "elementos antigovernamentais", em alusão aos grupos rebeldes afegãos. A ONU acusou ainda os talibãs de "usarem crianças como suicidas" em atentados.

Do total de 346 mortes, a Unama não divulgou a causa de 38 ocorridas em 2009, ano em que foi registrado o recorde de ataques contra escolas - mais de 600.

A ONU anunciou esses dados por ocasião da visita a Cabul da representante especial da secretaria-geral para a Infância em Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy.

"É crucial que a próxima assembleia de paz discuta os temas de segurança da infância, especialmente o recrutamento e o uso das crianças em atos terroristas", disse Coomaraswamy, segundo a nota.

A representante da ONU, que se reuniu com o presidente Hamid Karzai, acrescentou que o Afeganistão deve começar o processo de aplicação dos planos de ação do Conselho de Segurança da ONU para libertar os menores recrutados por grupos armados.

"O presidente Karzai me deu seu compromisso e esses assuntos terão alta prioridade nas discussões de paz", afirmou, comemorando ainda a "mudança de atitude" nas táticas das tropas internacionais para evitar vítimas civis desde sua última visita ao país.

Coomaraswamy destacou ainda o fato de o responsável pela Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), Stanley McChrystal, ter se comprometido a cooperar com a ONU para proteger a infância.

No último domingo, 27 civis morreram em uma ofensiva aérea da Otan que foi classificada pelo governo afegão como "injustificável".

Desde que assumiu as rédeas da Isaf, em 2009, McChrystal aprovou novas diretrizes para evitar baixas civis, já que no ano passado 2.412 deles perderam a vida por causa do conflito armado, sendo que 25% dos casos ocorreram em ações militares atribuídas às forças estrangeiras e afegãs, segundo a ONU. EFE.

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