Ataques à imprensa e impunidade dominam reunião da SIP

Assunção, 14 mar (EFE).- Os persistentes ataques contra a imprensa na América Latina e a impunidade que impera nos casos de assassinatos, principalmente no México, dominaram o segundo dia da reunião que a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) realiza até segunda-feira na capital paraguaia, Assunção.

EFE |

Além do alto risco que há no México para exercer o jornalismo, a Comissão de Liberdade de Imprensa advertiu para a falta de abertura em Cuba e da "expansão do populismo" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez para outros países da região.

O presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP, Robert Rivard, ressaltou que o "México continua sendo o país mais perigoso para os jornalistas, especialmente os que cobrem assuntos relacionados ao crime organizado e quadrilhas de traficantes".

No primeiro dia da reunião da SIP em Assunção, Rivard, do jornal americano "San Antonio Express-News", especificou que dos seis assassinatos de jornalistas cometidos em 2008 nas Américas, quatro ocorreram no México, um na Venezuela e outro no Paraguai.

A respeito de Cuba, o diretor do organismo que reúne donos e editores de 1.300 meios de comunicação impressos dos continentes, afirmou que na ilha "persistem outros problemas de longa data" e que "o mais notável é a absoluta repressão a qualquer imprensa independente e à liberdade de expressão".

"As liberdades civis não existem sob um segundo regime castrista, o de Raúl (Castro, presidente de Cuba), da mesma forma que sob o longo regime de Fidel (Castro)", destacou Rivard, para quem "a expressão mais trágica deste estado policialesco oficial é que 26 jornalistas independentes ainda permanecem presos".

Ele denunciou que muitos de seus colegas, "prisioneiros políticos", sofrem problemas graves de saúde, "por seu encarceramento e a indiferença do regime".

Rivard também voltou a tocar no "crescente populismo que foi se espalhando nos últimos anos da Venezuela do presidente Hugo Chávez para Equador, Bolívia, Honduras, Nicarágua, Argentina e outros países chefiados por presidentes eleitos que compartilham um desejo nada disfarçado de estender seu próprio poder político".

"Nesta aliança regional aumentaram os ataques, ameaças físicas e intimidações contra os jornalistas, enquanto proprietários de meios impressos e televisão enfrentam ameaças econômicas, como o uso da publicidade oficial para recompensá-los ou castigá-los", explicou.

A Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação recebeu hoje os relatórios dos delegados de cada país sobre a situação da imprensa neles e, na segunda-feira, emitirá uma conclusão, com a qual fechará a reunião do Paraguai.

O mesmo foi feito pela Comissão de Impunidade, presidida pelo mexicano Roberto Rock, do diário Universal, que ressaltou à Agência Efe o fato de que seu país registra o maior número de assassinatos de jornalistas na América Latina.

Desde 1995, cerca de 100 jornalistas foram mortos na região, dos quais 24 denúncias foram elevadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Uns destes casos, o de Alfredo Jiménez Mota, foi detalhado por Rock, que explicou que o repórter do jornal "El Imparcial", da cidade de Sonora, desapareceu em 2 de abril de 2005, quando investigava denúncias sobre crime organizado e segurança pública.

A SIP afirmou em seu relatório à CIDH que as autoridades mexicanas não podem oferecer ao repórter as garantias de direito à vida, proteção judicial e liberdade de expressão, que são contempladas na Convenção Americana de Direitos Humanos.

Este documento foi entregue ao secretário-executivo da CIDH, Santiago Catón, durante o seminário da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão, que faz parte da rodada de diálogos da SIP.

Esse debate também contou com a participação dos relatores especiais sobre Liberdade de Expressão da Organização das Nações Unidas (ONU), Frank LaRue, e da Organização dos Estados Americanos (OEA), Catalina Botero.

Larue ressaltou em seu discurso que "a impunidade é uma doença a se combater" e que se deve "exigir que os estados freiem a violência e protejam os jornalistas, além de investigar e chegar a conclusões reais". EFE lb/jp

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