Ataque suicida mata 32 no Paquistão na última sexta do Ramadã

Islamabad, 18 set (EFE).- Um terrorista suicida obscureceu hoje a última sexta-feira do Ramadã com um atentado que, segundo diversas fontes oficiais, causou a morte de 32 pessoas e feriu várias dezenas em um mercado do noroeste do Paquistão.

EFE |

O ataque ocorreu às 10h (2h de Brasília), em um mercado das proximidades da cidade de Kohat, situada na Província da Fronteira Noroeste, disse à Agência Efe o chefe administrativo da área, Mehtab-ul Hassan.

"Há entre 30 e 32 mortos", acrescentou Hassan.

Segundo explicou à Efe o porta-voz da Polícia de Kohat, Fazal Naeem, o suicida circulava a bordo de um jipe carregado com cerca de 150 quilos de explosivos, e o detonou junto a uma parada de ônibus situada perto de um hotel, no mercado de Kachapakka.

Naeem, que estimou em 32 o número de mortos, afirmou que a explosão deixou um buraco de quase três metros de profundidade e quatro de largura, e anunciou que a Polícia conseguiu recuperar a cabeça do terrorista suicida.

A intensidade da explosão foi tamanha que parte do hotel e várias pequenas lojas desabaram, por isso as autoridades temeram que pessoas pudessem estar presas sob os escombros e o número de mortos aumente.

"As pessoas que estavam ali tiveram que ajudar a tirar os cadáveres e feridos. Não havia nem Exército nem Polícia. As pessoas do Exército acabam de chegar agora", disse Hassan.

Pouco depois do ataque, as autoridades declararam estado de emergência em todos os hospitais da cidade para atender os feridos, cerca de 40, segundo o chefe administrativo, mas os centros médicos elevaram o número para cerca de 50 e o porta-voz policial, para 60.

Após o ataque suicida, um grupo de aldeões apedrejou vários carros na estrada de Hangu, na altura de Kachapakka, mas a Polícia bloqueou o trânsito e isolou a área, para investigar o ataque e recolher provas.

Tanto o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gillani, quanto o presidente do país, Asif Ali Zardari - em visita oficial a Londres - condenaram o atentado, expressaram sua solidariedade às vítimas e apostaram em eliminar o fundamentalismo no país.

O Paquistão celebrava hoje a última sexta-feira do Ramadã, por isso as forças de segurança tinham alertado a população de que poderiam acontecer ações e atentados dos fundamentalistas, muito ativos nas áreas do noroeste do país.

Os talibãs paquistaneses costumam atacar as forças de segurança, mas também cometeram ataques contra hotéis, concentrações religiosas ou áreas movimentadas, com um alto custo para a população civil.

Além disso, sua presença serviu para encorajar as tensões entre as diferentes seitas islâmicas do Paquistão, um país majoritariamente sunita, mas com uma minoria xiita muito significativa em áreas como Kohat, cenário de tensões entre as duas comunidades.

De fato, o ataque suicida de hoje nas cercanias da cidade aconteceu apenas um dia depois de várias pessoas ficarem feridas na explosão de uma bomba de dez quilos em frente a uma loja de componentes eletrônicos.

"Pode se tratar de violência sectária, porque ontem houve tensão.

Suspeitamos que a bomba de ontem foi obra do Sipah-e-Sahaba Pakistan (um grupo extremista sunita)", reconheceu Naeem.

Segundo o canal de televisão "Dawn", o ataque suicida foi reivindicado por um grupo chamado Lashkar-al-Almi, até agora sem projeção, mas o porta-voz policial disse não ter notícia sobre isso.

As forças paquistanesas passaram meses combatendo intensamente os insurgentes em várias áreas tribais do nordeste e no Vale de Swat, após detectar que os fundamentalistas estavam se aproximando da capital do país, Islamabad. EFE igb-ss-daa/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG