Ataque suicida em mesquita mata 50 em área tribal do Paquistão

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 27 mar (EFE).- Cinquenta pessoas morreram hoje e 170 ficaram feridas em um ataque suicida que destruiu uma mesquita cheia de fiéis por causa do dia de oração muçulmano, na região tribal paquistanesa de Khyber, fronteira com o Afeganistão, segundo uma fonte oficial.

No templo, próximo a um posto das forças de segurança, estavam reunidos quase 300 fiéis quando o suicida detonou sua carga explosiva, que devastou o complexo religioso, de dois andares.

Pelo menos 50 pessoas morreram e 170 ficaram feridas no ataque terrorista, disse o chefe da demarcação tribal, Tariq Hayat Khan, citado pela imprensa paquistanesa.

A maioria das vítimas fatais é civil, entre eles algumas crianças, mas também morreram 15 funcionários da Administração civil, assim como vários guardas de segurança e membros das forças paramilitares, segundo uma fonte policial citada pelo canal privado "Express TV".

Quinze ambulâncias dos serviços de resgate foram ao local do atentado e levaram dezenas de feridos a hospitais da área de Jamrud.

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e o primeiro-ministro, Yousaf Raza Gillani, condenaram o ataque, que aconteceu pouco antes de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciar seu plano de revisão estratégica para o Afeganistão e o Paquistão.

Obama prometeu ao Governo paquistanês uma ajuda de US$ 1,5 bilhão anuais durante cinco anos, condicionada a seu esforço no combate ao terrorismo.

Na região de Khyber, encontra-se uma passagem estratégica para o Afeganistão, pela qual circulam diariamente centenas de caminhões com combustível e mantimentos para as forças estrangeiras neste país, que foram atacadas repetidamente pela insurgência talibã.

Estes ataques levaram o Exército do Paquistão a lançar, junto com as forças paramilitares, várias ofensivas durante os últimos meses para garantir a segurança da rota.

Além disso, as forças de segurança paquistanesas estão em meio a várias operações contra os insurgentes em demarcações vizinhas do cinturão tribal, que serve de esconderijos para grupos talibãs e membros da rede terrorista Al Qaeda.

A ação de hoje ocorre dentro de uma onda de violência que se traduziu nas últimas duas semanas em ataques suicidas na cidade de Rawalpindi, próxima a Islamabad, na própria capital e em uma localidade do noroeste próxima às áreas tribais.

"Não é possível analisar o atentado de hoje fora desta tendência de ações contra as forças de segurança e elementos pró-Governo.

Também foram registrados dois ataques com mísseis de aviões não tripulados dos EUA contra alvos insurgentes. Os talibãs estão zangados", disse à Agência Efe uma fonte de inteligência ocidental.

Em Khyber, há uma forte presença de dois grupos islâmicos de caráter sunita que protagonizaram frequentes confrontos pelo domínio da região.

"Lançamos ofensivas contra eles. Pode ser uma reação", disse à Efe o porta-voz das Forças Armadas, Athar Abbas, acrescentando que "a área está controlada", mas que "este tipo de ação pontual não pode ser evitada sempre".

O porta-voz militar evitou se pronunciar sobre a autoria do atentado, que ainda não foi reivindicado por nenhum grupo.

Um porta-voz talibã disse à Efe que não sabe se o atentado foi obra do movimento Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), que reúne os diferentes grupos talibãs paquistaneses e que reivindicou a autoria dos últimos atentados.

Alguns analistas indicaram que poderia ser um ato de violência sectária, já que o ataque ocorreu contra uma mesquita sunita em uma sexta-feira, dia de oração muçulmano.

"Khyber não é um foco de violência sectária, sua população é sunita. De qualquer forma, não se pode descartar que o atentado tenha sido obra de um xiita. Os xiitas foram alvo de vários ataques durante este ano", disse a fonte de inteligência ocidental.

Quase 8 mil pessoas morreram em 2008 em diferentes episódios de violência no Paquistão, onde houve mais de 2 mil atos de terrorismo, segundo um recente relatório de um grupo de estudo geoestratégico.

EFE igb/an

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