Ataque suicida atinge local sagrado de Khomeini no Irã

Por Dominic Evans and Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - Um homem-bomba se explodiu no mausoléu do pai da revolução iraniana, o aiatolá Ruhollah Khomeini, afirmou a mídia estatal neste sábado, num ataque que matou duas pessoas e coincide com o clima de insegurança depois da eleição presidencial.

Reuters |

(NOTA DO EDITOR: a Reuters e outros veículos de comunicação estrangeiros estão sujeitos a restrições determinadas pelo Irã na realização de reportagens, filmagens e fotos em Teerã.)

Em outra localidade em Teerã, a polícia usava de força, fogo, gás lacrimogênio e canhões de água para dispersar manifestantes desafiando a proibição de protestos, também de acordo com a mídia estatal.

Testemunhas afirmaram que se reuniram entre 2 mil a 3 mil pessoas, muito menos do que as centenas de milhares envolvidas nos comícios anteriores.

O reportado ataque ao túmulo de Khomeini pareceu propenso a estimular a ira entre os iranianos, que reverenciam o clérigo xiita que liderou a revolução de 1979.

As últimas semanas de protesto têm sido a mais disseminada expressão do sentimento contra o governo desde a revolução.

O corpo legislativo superior do Irã afirmou estar pronto para recontar 10 por cento das urnas escolhidas de forma aleatória da eleição de 12 de junho para responder às queixas de Mirhossein Mousavi e dos outros dois candidatos derrotados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Mousavi, cujos simpatizantes realizaram diversos comícios na semana passada, pediu que a eleição fosse anulada.

Forças de segurança se concentraram para evitar quaisquer futuros comícios na capital iraniana, um dia depois que o líder supremo aiatolá Ali Khamenei afirmou que os líderes manifestantes serão os responsáveis por qualquer derramamento de sangue caso a onda continue.

USO DE GÁS LACRIMOGÊNIO

Foi usado gás lacromogênio na praça Enghelab pela polícia no enfrentamento de manifestantes, segundo uma testemunha.

Um comandante policial afirmou mais cedo que suas forças enfrentariam de maneira firme qualquer protesto relacionado às eleições de 12 de junho.

O partido Etemad-e Melli do candidato derrotado Mehdi Karoubi afirmou que os planos para um comício foram descartados pela falta de autorização e um aliado do candidato Mirhossei Mousavi informou que o político moderado não pediu que seus simpatizantes não fossem às ruas.

O Conselho Guardião composto por 12 homens, que devem assegurar o resultado da eleição, anunciou os planos de recontagem parcial.

"Apesar do Conselho Guardião não ser legalmente obrigado... estamos prontos para recontar 10 por cento das urnasaleatoriamente escolhidas na presença de representantes dos três candidatos derrotados", afirmou um porta-voz do conselho.

O conselho convidou Lousavi, Karoubi e Mohsen Rezaie para apresentarem suas queixas em uma sessão especial. Mas somente Rezaie, ex-comandante da Guarda Revolucionária, atendeu ao convite.

O resultado da eleição mostrou que Mousavi obteve 34 por cento dos votos contra os quase 63 por cento de Ahmadinejad.

Testemunhas afirmaram que viram a milícia islâmica Basij passando por Teerã e um residente viu pelo menos três ônibus cheios de integrantes da Basij rumo à capital partindo da cidade de Karaj no sábado, bem como quatro caminhões cheios de motocicletas usadas pela Basij durantes demonstrações anteriores.

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