Ataque que matou 76 no Afeganistão é o pior desde a queda do regime talibã

Lutffullah Ormurl Cabul, 22 ago (EFE).- Pelo menos 76 civis, a maioria crianças, morreram hoje em um bombardeio da coalizão liderada pelos Estados Unidos na província afegã de Herat, no ataque mais sangrento com vítimas entre a população desde a queda do regime talibã.

EFE |

O bombardeio aconteceu esta tarde no povoado de Aziz Abade, na região de Naw Abade, situada no distrito de Shindand, informou o Ministério do Interior afegão em comunicado.

O ataque causou a morte de "76 pessoas, entre elas 19 mulheres, sete homens e os demais, crianças menores de 15 anos", além de ter deixado um número indeterminado de civis feridos, alguns em estado grave, assegurou a fonte.

O Ministério expressou sua "preocupação" com o ocorrido e anunciou o envio de uma delegação de dez membros a Aziz Abade para investigar o bombardeio.

Horas antes, um porta-voz do comando dos EUA no Afeganistão assegurou à Agência Efe que nos combates em Shindand morreram hoje 30 supostos insurgentes e outros cinco foram detidos. Ele negou que o enfrentamento tenha deixado civis mortos.

Em comunicado, a coalizão americana afirmou que suas forças e as tropas especiais do Exército afegão patrulhavam Shindand quando foram emboscados por insurgentes.

A patrulha se dirigia nesse momento "para o complexo de um comandante talibã" para tentar detê-lo junto a "outros conhecidos insurgentes na área".

Os rebeldes atacaram as forças americanas e afegãs "de vários pontos a partir do interior do recinto". A patrulha respondeu com "tiros e um ataque aéreo", de acordo com o comunicado.

Segundo o texto, "o Exército afegão e as forças da coalizão mataram 30 insurgentes, entre eles o mulá Sadiq, um conhecido comandante talibã".

O comando informou sobre dois feridos "no fogo cruzado", que foram levados a uma de suas instalações médicas para receber tratamento.

"Não foi reportada nenhuma outra baixa civil", afirmou a fonte no comunicado.

Durante a operação, as forças encontraram um arsenal de fuzis AK-47, mais de quatro mil munições e material para fabricar explosivos.

Segundo o comando dos EUA, o vice-governador do distrito de Shindand, o mulá Lal Mohammed Khan, "viu os resultados da operação" e falou com os comandantes das forças afegãs e americanas.

"O número de armas recuperadas junto com o de inimigos mortos me convenceu de que foi uma boa operação", disse Khan, citado no comunicado.

Neste distrito, na província ocupada por tropas da Força de Assistência para a Segurança (Isaf) que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) comanda no Afeganistão, um bombardeio das forças dos EUA causou a morte 50 civis no final de abril de 2007.

Embora o comando americano tenha garantido que entre os mortos só havia talibãs, a investigação efetuada pela equipe da ONU qualificou como "informação certa" a morte de 51 civis naquele ataque.

O episódio, que resultou em uma enérgica condenação do presidente afegão, Hamid Karzai, levou também a Isaf a reivindicar uma maior coordenação com as tropas americanas e o Exército afegão para evitar baixas entre civis.

As mortes de civis no conflito afegão, tanto em bombardeios das forças estrangeiras como em atentados dos talibãs, suscitou a rejeição de diferentes organizações internacionais.

Em julho, a Cruz Vermelha pediu às partes em conflito que distingam os combatentes dos civis.

Em maio, o relator da ONU Philip Alston, em visita de inspeção ao Afeganistão, tachou de "inaceitável" que forças internacionais e afegãs "efetuem perigosos bombardeios que muito freqüentemente causam vítimas mortais sem que ninguém assuma a responsabilidade por eles". EFE lo/ab/rr

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