Pequim, 4 ago (EFE) - Um atentado contra um posto alfandegário na região noroeste de Xinjiang - habitada pela etnia muçulmana uigur - deixou 16 policiais mortos e vários feridos nesta segunda-feira (hora local), a quatro dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, segundo a agência de notícias Xinhua.

O ataque, cometido com explosivos de fabricação caseira, aconteceu às 8h desta segunda-feira (21h de domingo em Brasília), quando dois homens em um caminhão se dirigiram em direção a um grupo de policiais que faziam ronda matutina na cidade de Kashgar, oeste da região e perto da fronteira com Paquistão e Afeganistão.

Após jogar o veículo contra uma cerca metálica, os dois homens, armados com facas, desceram do caminhão e começaram a lançar explosivos contra os barracões nos quais estavam os policiais.

Quatorze policiais morreram na hora, enquanto outros dois faleceram a caminho do hospital.

A Polícia, que suspeita de um atentado terrorista, segundo a "Xinhua", deteve os dois responsáveis - um dos quais ficou ferido na perna durante o ato - e encontrou vestígios de cinco explosivos no local.

Procurado pela Agência Efe, o Escritório de Segurança Pública da região não quis se pronunciar.

Habitada por oito milhões de uigures, Xinjiang é uma das principais fontes de gás e petróleo da China e aspira à independência para formar uma nova república centro-asiática.

Os uigures, de religião muçulmana, cultura indo-européia e língua turcomana, acusam a maioria Han de colonizar e repreender seus costumes.

A China acusou os movimentos independentistas da região de planejar atentados durante os Jogos Olímpicos, e anunciou este ano o desmantelamento de 12 grupos terroristas transnacionais.

Entre eles está o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (Etim), a principal organização separatista uigur e que foi incluída na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos devido aos atentados de 11 de setembro de 2001.

O Etim foi apontado como uma das principais ameaças terroristas durante os Jogos Olímpicos, assim como as forças separatistas tibetanas e do movimento espiritual Falun Gong.

Em janeiro, a China informou que dois supostos terroristas mortos por disparos da Polícia de Xinjiang planejavam um atentado durante os Jogos Olímpicos.

Dois meses depois, duas pessoas foram detidas por uma suposta tentativa de atentado em um avião procedente de Urumqi, capital de Xinjiang, com destino a Pequim, que teve de fazer uma escala inesperada porque uma mulher viajava com um líquido suspeito.

Em julho, a Polícia chinesa informou que disparou e matou cinco pessoas na região oeste de Xinjiang em uma operação contra um grupo terrorista formado por 15 pessoas, que preparava uma "guerra santa" contra os Han.

No final de julho, o autoproclamado Partido Islâmico do Turquestão assumiu a autoria de cinco ataques registrados nos últimos meses na China (dois deles contra ônibus públicos), embora as autoridades do país tenham minimizado sua importância.

Em 1997, o grupo independentista uigur cometeu dez atentados com bomba, segundo a imprensa oficial chinesa.

Grupos internacionais de ativistas e de defesa dos direitos humanos acusam a China de criar riscos de ataques terroristas para justificar um aumento da repressão contra os independentistas uigures.

Os uigures exilados negaram relação com grupos terroristas, entre eles a ativista uigur Rebiya Kadeer, candidata ao prêmio Nobel da Paz em 2006 e exilada nos EUA nos últimos anos, que acusou a China de inventar complôs terroristas contra os Jogos Olímpicos a fim de reprimir sua comunidade. EFE cg/fh/db

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