Ataque israelense atinge comboio da ONU e agência suspende atividades em Gaza

Pelo menos um palestino foi morto nesta quinta-feira em um ataque israelense contra um comboio da ONU na Faixa de Gaza, informou Adnan Abu Hasna, porta-voz da organização. A ONU anunciou a suspensão por tempo indeterminado das operações na região.

Redação com agências internacionais |

O ataque aconteceu quando os caminhões da Nações Unidas viajavam para buscar suprimentos endereçados a Gaza durante as três horas de cessar-fogo humanitário instituídas na região. "Dois morteiros atingiram de perto um caminhão do comboio que se dirigia a Erez", informou Chris Gunness, também porta-voz da organização. "Nossas instalações foram atingidas, nossos funcionários foram mortos, apesar do fato de as autoridades israelenses terem as coordenadas sobre nossas instalações e de todos os nossos movimentos serem coordenados com o Exército israelense", acrescentou.

"É com grande pesar que a UNWRA (agência da ONU para os refugiados palestinos) foi forçada a tomar essa difícil decisão", completou Gunness.

A agência humanitária distribui alimentos a cerca de 750 mil pessoas no território palestino. Militares israelenses disseram que vão investigar o acidente.

A presidência tcheca da União Européia (UE) também lamentou a morte por fogo israelense do agente da ONU. "Após bombardear uma escola da ONU, este é outro terrível episódio, que, além disso, ocorreu durante as três horas de cessar-fogo declarado por Israel", indicou o ministro de exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg.

Reuters
Novos ataques de Israel puderam ser vistos em Gaza nesta tarde

Cruz Vermelha

Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.

Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, de acordo com a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpo de suas mães.

A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio. "O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assitência aos feridos", disse chefe de operãções da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levassemos auxílio aos feridos", acrescentou.

O outro lado

Mak Regev, um porta-voz do governo israelense, disse não ter conhecimento do incidente citado pela Cruz Vermelha, mas afirmou que Israel apóia o trabalho da entidade em Gaza.

"Não tenho conhecimento, e peço desculpas, sobre os detalhes desse caso específico", afirmou Regev. "O que eu posso dizer é que Israel tem uma relação muito boa com a Cruz Vermelha."

"Nós abrimos canais de comunicação", acrescentou. "Se há problemas de coordenação, de logística, ou outras dificuldades, nós podemos solucionar essas questões", disse. "Nós apoiamos o que a Cruz Vermelha está fazendo em Gaza, queremos ajudá-los a fazer seu trabalho, nós vemos como nosso papel ajudar esses trabalhadores humanitários em Gaza e estamos tentando trabalhar com eles da maneira mais eficaz possível", disse o porta-voz.

Ajuda humanitária

AFP
Palestinos aproveitam trégua de 3 horas para comprar comida

Nesta quinta-feira aconteceu o segundo cessar-fogo humanitário na Faixa de Gaza para que a população civil possa obter mantimentos.

A trégua, assim como na quarta-feira, teve início às 13h e terminou às 16h (12h de Brasília), de acordo com o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky .

Durante esse período, as passagens fronteiriças de Nahal Oz e Kerem Shalom deveriam estar abertas para permitir a entrada a Gaza de cargas de ajuda humanitária e combustível.

Foguetes vindos do Líbano

A tensão aumentou, nesta manhã, quando vários foguetes disparados do Líbano atingiram o norte de Israel , ferindo levemente duas pessoas.

Israel revidou com disparos de artilharia que o porta-voz do Exército israelense descreveu como "resposta precisa à fonte do ataque" - uma reação militar limitada que parece sinalizar o desejo de evitar uma escalada. O Hezbollah  negou qualquer participação nos disparos  e Israel culpa os palestinos que vivem no Líbano de lançar os foguetes.

Desde o início do conflito, no dia 27 de dezembro, pelo menos 760 palestinos morreram, conforme autoridades médicas. Outros 3.085 teriam ficado feridos. Por outro lado, Israel diz que sete soldados  morreram nos confrontos em terra e quatro civis foram mortos por foguetes palestinos.

13º dia de bombardeios


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