Ataque envolvendo Otan reaviva tensão nas relações entre EUA e Paquistão

Oficiais paquistaneses e da coalizão internacional no Afeganistão trocam acusações sobre ataque de helicópteros da aliança

iG São Paulo |

Tensões voltaram a permear as relações entre os Estados Unidos e o Paquistão, nesta terça-feira, depois de acusações envolvendo ataques de helicópteros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no leste do Afeganistão, que teriam atirado na fronteira com o Paquistão, depois de terem sido atingidos.

AP
Religiosos paquistaneses do grupo Jamaat-ud-Dawa condenam ação Americana que matou Bin Laden e pedem fim das relações entre Paquistão e EUA (15/5/2011)
As forças da Otan no Afeganistão (Isaf, na sigla em inglês) receberam mais tarde relatos de que dois soldados paquistaneses haviam sido feridos.

Segundo um oficial da Otan, que falou sob condição de anonimato, os helicópteros de apoio às operações na base americana de Tillman, no Afeganistão, foram atingidos por tiros vindos do lado paquistanês da fronteira. Depois de terem sido atingidos duas vezes, os helicópteros revidaram, disse o oficial à CNN.

A força liderada pela Otan emitiu um comunicado nesta terça-feira dizendo que a aliança está "ciente do incidente" e investiga as circunstâncias do ocorrido.

Segundo oficiais de inteligência paquistaneses, o inicidente teria começado quando um jato militar da Otan entrou no espaço aéreo do Paquistão próximo à fronteira com o Afeganistão. Tropas paquistanesas começaram então a atirar contra a aeronave, que teria retornado acompanhada de helicópteros antes de atirar contra um posto militar no norte do Waziristão.

O incidente ocorre em um momento delicado entre Paquistão e os Estados Unidos, em que as relações entre os dois países ficaram bastante estremecidas depois da operação de comandos americanos que matou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , em uma operação em 2 de maio.

Parlamento

Na noite de sexta-feira, o Parlamento paquistanês emitiu uma resolução para condenar a operação dos EUA, pedindo que o governo "revise" sua relação com Washington e defendendo a criação de uma comissão independente para investigar a operação americana contra Bin Laden.

O texto foi divulgado após uma longa sessão a portas fechadas das duas Câmaras paquistanesas, perante as quais compareceu a cúpula militar para dar explicações sobre a operação em Abbottabad, cidade próxima a Islamabad onde se escondia o líder da Al-Qaeda. A resolução pede ao Executivo que "revise" seu contato político com os EUA com o objetivo de "assegurar que os interesses nacionais do Paquistão sejam totalmente respeitados".

Na segunda-feira, no entanto, EUA e o Paquistão concordaram em trabalhar juntos em quaisquer ações futuras contra "alvos de alto valor" em território paquistanês. Os dois países fizeram o anúncio depois da visita do senador americano John Kerry a Islamabad. Kerry é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Kerry afirmou que Paquistão e EUA são sócios estratégicos contra um inimigo comum, informando que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciará em breve uma visita ao país asiático.

"Nunca devemos perder de vista os fatos essenciais. Somos sócios estratégicos contra um inimigo comum, que é o terrorismo e o extremismo", disse o presidente da influente Comissão de Assuntos Exteriores do Senado, a primeira autoridade americana a viajar ao Paquistão desde a morte de Bin Laden.

*Com informações da CNN

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