Ataque em voo nos EUA seria ação independente, diz investigação

Paco G.Paz.

EFE |

Washington, 26 dez (EFE).- As investigações sobre a tentativa de ataque terrorista nesta sexta-feira em um avião que se preparava para aterrissar em Detroit (EUA) apontam para a possibilidade de que o autor, um nigeriano que se disse ligado à Al Qaeda, teria agido sozinho.

Os agentes do FBI (polícia federal americana) coletaram hoje declarações do suspeito, de 23 anos e identificado como Umar Farouk Abdulmutallab. Ele está em um hospital de Michigan devido às queimaduras sofridas nas pernas durante o ataque.

Conforme publica hoje a imprensa americana, o homem assegurou que mantém vínculos com a organização terrorista Al Qaeda e que recebeu treinamento e meios para realizar o atentado.

No entanto, investigadores questionam a afirmação e trabalham com a hipótese de que ele teria agido sozinho, inspirado na organização terrorista, mas sem receber ordens nem treinamento diretos dela.

Por enquanto, a Casa Branca diz considerar o incidente uma tentativa de atentado terrorista.

Embora o nigeriano não esteja na lista da Agência de Segurança do Transporte como proibido de viajar, seu nome aparece na do Governo americano de suspeitos de terrorismo.

O homem declarou que viajou ao Iêmen para pegar a bomba e as instruções para ativá-la, possibilidade que é investigada pelas autoridades locais.

Os restos da bomba foram enviados às instalações do FBI na Virgínia para passar por análises minuciosas.

O incidente ocorreu na tarde de sexta-feira, quando o voo procedente de Amsterdã com 278 passageiros a bordo, alguns deles procedentes da Nigéria, iniciava as manobras de aproximação do aeroporto de Detroit.

O avião, um Airbus A330 com o logotipo da Delta, era operado pela companhia Northwest, com a qual aquela se fundiu há alguns meses.

Abdulmutallab, que segundo os canais "ABC News" e "NBC News" estudou engenharia na University College London (UCL), tentou ativar em suas pernas o explosivo na área de passageiros, embora sem sucesso.

Os passageiros que permaneciam no interior do voo descreveram momentos de pânico quando o suspeito tentou ativar a bomba e houve fogo, enquanto ouviram pequenas explosões como de fogos de artifício.

O suspeito aparentemente conseguiu passar pelos controles ao levar junto a suas pernas, com uma fita adesiva, parte do material que utilizaria para ativar a bomba.

Já no avião utilizou uma seringa para misturar os produtos químicos que levava, alguns em pó e outros líquidos.

Elias Fawaz, um dos passageiros, disse à cadeia "WDIV" que foi ouvida uma explosão e que depois começou a cheirar a fumaça.

Outro passageiro, identificado pela cadeia "CNN" como Jasper Schuringa, se lançou sobre o suspeito para tentar amarrá-lo, com ajuda da tripulação e de outros que estavam a bordo. Alguns deles sofreram também queimaduras pela explosão da bomba.

Em declarações à imprensa, Schuringa disse que alguns dos passageiros gritaram "fogo", enquanto ele saltou sobre o suspeito para tentar arrebentar a bomba e apagar as chamas com as mãos.

Após tirar o aparelho do nigeriano, Schuringa tentou rasgar sua roupa para ver se levava outros explosivos, enquanto um membro da tripulação amarrou suas mãos.

Uma vez rendido o suspeito, alguns passageiros aplaudiram a ação dos voluntários.

"Minhas mãos estão bastante queimadas, mas estou bem. Estou comovido, mas estou feliz de estar aqui ainda", disse Schuringa à cadeia "CNN", após descer do avião.

O suspeito chegou a Amsterdã em um voo da KLM procedente de Lagos, na Nigéria. Na capital holandesa, se investiga por que as medidas de segurança não foram suficientes para detê-lo. A companhia aérea nega responsabilidades sobre o controle de passageiros.

O presidente americano, Barack Obama, que está de férias no Havaí com a família, foi informado por telefone do incidente e pediu que sejam aumentadas as precauções em todos os voos, segundo seu porta-voz, Bill Burton.

Por enquanto, as autoridades americanas não decidiram elevar o alerta terrorista, que está no nível laranja, o segundo de cinco patamares.

Após o ataque, os aeroportos internacionais, especialmente os europeus, aumentaram as medidas de segurança. Nos EUA, o Governo alertou ontem que os passageiros aéreos poderiam enfrentar um aumento nas medidas de controle. EFE pgp/rr

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