Ataque em santuário xiita de Bagdá mata pelo menos 60

Um atentado realizado por duas mulheres-bomba matou cerca de 60 pessoas no maior santuário xiita de Bagdá nesta sexta-feira, o segundo dia consecutivo de grandes ataques no Iraque. Os ataques foram na mesquita de Moussa al-Kadhim e mataram um grande número de peregrinos, 25 deles vindos do Irã.

BBC Brasil |

A polícia acredita que pelo menos 125 pessoas ficaram feridas.

De acordo com o correspondente da BBC Jim Muir, o fato do ataque ter acontecido na sexta-feira, dia que os muçulmanos reservam para descanso e orações, indica que os autores do ataque procuraram maximizar o número de vítimas, em outro traço da violência sectária que assolou o país após a invasão comandada pelos Estados Unidos em 2003.

Ativistas sunitas mais radicais consideram os xiitas infiéis.

Xiitas
Na quinta-feira, haviam sido registrado atentados em Bagdá e na cidade de Baquba, próxima à capital, e a maior parte dos 84 mortos também eram xiitas.

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O maior dos dois ataques aconteceu em um restaurante em Baquba, que deixou 56 vítimas fatais.

A outra bomba explodiu em uma rua da capital iraquiana, matando vários sem-teto, xiitas e sunitas.

O importante clérigo iraniano e ex-presidente do país Ali Akbar Rafsanjani condenou nesta sexta-feira o ataque contra xiitas, dizendo que "O incidente de ontem foi um exemplo odioso daqueles que ferem a religião em nome da religião".

"Lamentamos que grupos assim tenham entrado no Iraque. Também criticamos os Estados Unidos por não terem a determinação de manter a segurança no Iraque", disse ele.

Na quinta-feira o Iraque anunciou que um importante líder da Al Qaeda no país pode ter sido preso, mas a notícia não foi confirmada.

Dados da violência
O governo iraquiano anunciou que, desde 2005, quando aumentou a violência sectária entre sunitas e xiitas, cerca de 87 mil iraquianos foram mortos.

O levantamento foi feito computando dados de hospitais e necrotérios. De forma geral, a violência entre estas duas comunidades diminuiu bastante a partir de 2007.

Naquele ano, a Al-Qaeda começou a ser combatida dentro das próprias comunidades sunitas, cooptadas peles militares americanos. Em Bagdá e em outras partes do Iraque, houve uma queda forte no número de incidentes de violência sectária ao longo do último ano.

A retirada total das tropas lideradas pelos Estados Unidos está prevista para 2011.

Mas analistas afirmam que as razões que causaram a violência entre as duas comunidades não foram resolvidas. Eles dizem que a violência pode passar a envolver também os curdos, que querem mais autonomia no norte do país.

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