Protestos depois da queima do livro sagrado dos muçulmanos por americanos em base militar deixaram quase 40 mortos

Um atentado suicida ocorrido nesta segunda-feira perto do acesso à base militar americana na cidade de Bagram, no Afeganistão, provocou a morte de dois adolescentes e deixou ao menos quatro feridos.

A ação é parte da série de retaliações contra a queima do Alcorão por soldados americanos na base militar de Bagram, no Afeganistão, em 20 de fevereiro.

Afegãos protestam contra a queima do Alcorão em base militar dos EUA (25/2)
AP
Afegãos protestam contra a queima do Alcorão em base militar dos EUA (25/2)
De acordo com Kabir Ahamd, chefe do distrito de Bagram, na província de Parwan, um homem bomba se explodiu perto de um veículo perto da base militar.

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O ataque não matou nenhum dos militares de forças estrangeiras. O porta-voz taleban Zabiulah Mujahid atribuiu a ação ao movimento fundamentalista, e afirmou que ela foi executada "como vingança pela queima de cópias do Alcorão por soldados americanos".

Investigação

Na semana passada, uma investigação militar conseguiu identificar cinco soldados envolvidos na queima de cópias do Alcorão, em uma base militar no Afeganistão na semana passada.

Os soldados teriam retirado as cópias do Alcorão de uma prisão localizada na base após suspeita de conter mensagens com conteúdo considerado "extremista". Depois de serem pegos por militares na prisão, os livros ficaram guardados em um escritório, de acordo com o inquérito. Mais tarde, eles acabaram sendo confundidos com lixo e foram levados para um aterro na base.

Funcionários afegãos identificaram as cópias como sendo do Alcorão no momento em que as páginas eram incineradas, segundo professores muçulmanos presentes. A descoberta da queima levou a uma semana de protestos e tensão sem precedentes entre os EUA e militares afegãos.

A queima de cópias do livro sagrado dos muçulmanos – que os Estados Unidos disseram ter sido acidental – desencadeou uma onda de protestos que deixou quase 40 mortos, entre eles seis militares americanos. A queima também motivou ataques contra militares americanos no Afeganistão, no quais seis soldados morreram.

Desculpas

O ocorrido levou o presidente americano, Barack Obama, a pedir desculpas . Em carta enviada ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, Obama lamentou o incidente e prometeu uma investigação. “Quero estender a você e ao povo afegãos minhas mais sinceras desculpas”, afirmou. “O erro foi impensado. Garanto que vou tomar as medidas necessárias para evitar que ele aconteça novamente e para punir os responsáveis.”

Oficiais americanos disseram que os cinco soldados serão reprimidos e não terão seus nomes divulgados. É improvável também que os militares sejam julgados em tribunal afegão, como algumas autoridades afegãs vêm demandando.

*Com EFE

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