Ataque do PKK abre portas para novas operações turcas no Iraque

Andrés Mourenza.

EFE |

Istambul, 4 out (EFE) - O violento ataque do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) a um posto da Gendarmaria (Polícia rural militar turca) na fronteira com o Iraque abriu as portas para a continuação das operações militares do Exército turco contra as bases do grupo armado curdo em território iraquiano.

Segundo informações do Estado-Maior das Forças Armadas turcas, militantes do PKK atacaram, nesta sexta-feira, uma base da Gendarmaria, matando 15 soldados.

Além disso, 23 membros do PKK, grupo considerado terrorista por Estados Unidos, União Européia (UE) e Turquia, morreram durante o combate.

"O momento em que houve o ataque é muito significativo", afirmou o porta-voz do Governo turco, Cemil Çiçek.

Ele lembrou que, na quarta-feira, o Parlamento se reunirá para discutir a ampliação, por mais um ano, da permissão concedida ao Exército em outubro de 2007 para fazer operações militares além das fronteiras contra as bases do PKK no Iraque.

O presidente turco, Abdullah Gül, que cancelou uma viagem oficial à França prevista para os próximos dias e se reuniu com a cúpula militar, deixou claro que a luta contra o PKK "continuará em todas as suas dimensões, independente do custo".

"Principalmente com as operações além das fronteiras do último ano, as Forças Armadas turcas conseguiram desmoralizar e reduzir o poder da organização terrorista", explicou Gül.

"Como pôde acontecer este ataque traidor? Será investigado e todos deverão prestar contas", acrescentou.

Já o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, interrompeu uma visita oficial a vários países da Ásia Central e convocou com urgência o Conselho Supremo de Luta Antiterrorista, que se reunirá hoje após o chefe de Governo voltar do Turcomenistão.

O Governo iraquiano, assim como UE e EUA, condenou o violento ataque.

O ataque também foi condenado pelo porta-voz do Ministério Militar da Administração regional curda do Iraque, Jabbar Yaver, que alegou que seu Governo não pode fazer "nada" contra estes ataques, pois ocorrem em uma região desabitada e fora de controle.

O posto de vigilância atacado fica em Aktütün, uma região na província de Hakkari, extremo sudeste da Turquia, de grande importância estratégica, já que se encontra a quatro quilômetros da fronteira iraquiana e aproximadamente 40 quilômetros do Irã.

Desde 1992, o posto vem sendo alvo do PKK, que o atacou em quatro ocasiões, causando 43 mortes no Exército turco.

O último ataque aconteceu em maio deste ano e causou a morte de seis soldados turcos, motivo pelo qual autoridades militares tomaram a decisão de reforçar sua segurança com um grupo de comandos e dois helicópteros.

Dias antes deste último ataque, um grupo de militantes do PKK foi visto no interior do Iraque, o que fez as divisões fronteiriças aumentarem o alerta e manterem as posições do grupo curdo sob fogo aéreo e de artilharia, explicou o Estado-Maior em seu comunicado.

Há um ano, a Turquia conta com informação do Pentágono em tempo real sobre as posições do PKK no norte do Iraque, o que permite ao país um melhor controle da fronteira com o país vizinho.

Por volta de 13h (7h, em Brasília) de sexta-feira, de acordo com a informação da agência "Firat" (próxima ao PKK), um grupo de rebeldes curdos lançou um ataque ao posto de vigilância de Aktütün, causando 15 mortes entre os soldados do Exército turco.

"A maioria de nossas baixas foi causada por tiros de armas pesadas disparados do norte do Iraque", explicou o general Metin Gurak à agência "Anadolu".

Outros 20 soldados ficaram feridos, dois deles em estado grave, e tiveram de ser levados em helicópteros para Ancara.

Além disso, os militares turcos informaram que a comunicação com dois suboficiais foi perdida, e até a tarde de hoje não se sabia se eles haviam sido capturados pelo PKK ou estavam mortos.

Após o ataque do grupo terrorista, houve um combate que se prolongou até o início da noite.

Os helicópteros turcos entraram em até dez quilômetros do território iraquiano apoiados por artilharia e, segundo os números do Exército, pelo menos 23 militantes do PKK morreram.

"Ninguém deve duvidar de que a luta contra a organização separatista continuará com decisão dentro e fora do país", concluiu o Exército turco no comunicado. EFE amu/fh/db

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