Ataque de Israel ao Irã se limitaria a alvos nucleares

Por Dan Williams JERUSALÉM (Reuters) - Um eventual ataque israelense ao Irã se concentraria em alvos nucleares, tentando ao máximo evitar danos a instalações civis, inclusive petrolíferas.

Reuters |

Operações israelenses anteriores contra instalações nucleares na região, no Iraque em 1981 e na Síria em 2007, sugerem uma tática de atacar alvos pontuais, por causa de limitações militares e também para evitar uma guerra total.

Uma simulação feita em dezembro pela Brookings Institution, de Washington, teorizou que Israel, temendo o desenvolvimento de armas nucleares no Irã, poderia lançar um ataque furtivo contra seis instalações nucleares da República Islâmica.

Israel então argumentaria que a missão teria "criado uma incrível oportunidade para que o Ocidente pressione o Irã, enfraqueça-o e possivelmente até abale o regime", disse Kenneth Pollack, especialista da Brookings, no sumário de um exercício militar, embora ressalvando que o governo dos EUA provavelmente reprovaria o ataque.

Os caças israelenses F-15 e F-16 têm alcance suficiente para bombardear o oeste do Irã. Com reabastecimento em voo e uso de tecnologias antirradar eles poderiam ir ainda mais fundo no território iraniano.

De acordo com um relatório de 2009 do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, Israel poderia também lançar mísseis balísticos Jericho, com ogivas convencionais.

Os três submarinos alemães Dolphin pertencentes a Israel supostamente seriam capazes de transportar mísseis de cruzeiro convencionais e com ogivas nucleares. Mas, para chegar ao golfo Pérsico, eles teriam de atravessar o canal de Suez, que pertence ao Egito, como já ocorreu com um deles no ano passado.

Forças especiais poderiam ser mobilizadas para localizar alvos e possivelmente lançar ataques sabotadores. Israel tem desenvolvido capacidades de "guerra cibernética" e poderia usar isso em conjunto com outras atividades do Mossad (serviço secreto), segundo fontes de segurança.

Mas Israel não gostaria de atrair para o conflito aliados do Irã, como o Hezbollah, o Hamas ou a Síria. Nem quer abalar suas relações com países árabes neutros e com os Estados Unidos. Finalmente - falando em favor de um ataque curto e incisivo -, suas forças convencionais estão preparados para rápidas guerras fronteiriças, e não para uma ação prolongada.

"Se houver um ataque israelense, a única coisa que poderia ser contemplada por Israel seria um ataque de precisão focado só nas instalações nucleares", disse Emily Landau, pesquisadora-associada-sênior do Instituto de Estudos da Segurança Nacional, de Tel Aviv.

"Israel não tem nenhum problema com o Irã além do fato de (o Irã) estar desenvolvendo uma capacidade nuclear militar, junto com uma retórica agressiva que sai do Irã", disse ela.

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