Ataques contra xiitas deixam 60 mortos no Afeganistão

Xiitas são alvos de dois atentados, um deles em Cabul, durante festival da Ashura, o mais importante do calendário religioso

iG São Paulo |

Um ataque suicida contra um santuário muçulmano xiita deixou ao menos 56 mortos e mais de 100 feridos em Cabul, capital do Afeganistão, nesta terça-feira. Ninguém assumiu responsabilidade pelo atentado, o maior ato de violência sectária desde a queda da milícia islâmica do Taleban, há uma década.

AP
Homem chora em hospital de Cabul após ataque suicida durante celebração xiita

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Outros quatro xiitas morreram em outro ataque lançado na cidade de Mazar-i-Sharif, norte do Afeganistão. Uma bomba amarrada a uma bicicleta explodiu durante a passagem de um comboio de xiitas por uma rua perto de uma mesquita, deixando também 21 feridos.

De acordo com o chefe do Departamento de Investigação Criminal da polícia de Cabul, Mohammed Zahir, o primeiro ataque aconteceu quando um homem detonou explosivos que carregava em seu corpo em meio a uma multidão de homens, mulheres e crianças que estavam em frente ao santuário de Abul Fazl.

A multidão participava do festival xiita da Ashura, que relembra o martírio de Hussein, neto do profeta Maomé, durante a batalha de Kerbala, no Iraque, no ano 680. Trata-se do principal evento no calendário religioso dos xiitas.

O principal responsável pela missão da Otan no Afeganistão, John Allen, emitiu uma nota na qual afirma que o crime foi perpetrado por insurgentes que se escondem sob um falso véu islâmico, mas que na verdade os atentados foram um ataque contra sua própria religião.

Allen ameaçou o líder do Taleban, mulá Omar, e pediu que ele condenasse "esses atos grotescos de terrorismo".

A milícia afirmou em comunicado enviado aos meios de comunicação que a organização não permite o ataque a afegãos em nome de sua religião, tribo ou procedência.  O Taleban condenou fortemente os ataques e disse que estava profundamente triste que afegãos inocentes tenham sido mortos e feridos.

O Afeganistão tem um histórico de violência e tensão entre os muçulmanos sunitas e a minoria xiita, mas, desde a destituição do Taleban do poder, ataques sectários em larga escala como os que abalam o vizinho Paquistão não têm ocorrido.

Na segunda-feira, três ataques de bombas atingiram vários peregrinos xiitas que comemoravam a Ashura no Iraque , deixando pelo menos 30 mortos e dezenas de feridos.

O presidente do Afeganistão cancelou uma viagem que faria ao Reino Unido e voltou ao país por conta dos atentados. Mais cedo, quando estava na cidade alemã de Bonn, ele condenou os ataques desta terça-feira e disse que os autores querem destruir a unidade do país. "Eles não desejam que os afegãos permaneçam unidos sob a mesma bandeira", afirmou o líder em comunicado. Segundo o presidente, os atentados foram praticados por inimigos do islã e do país.

Em Bonn, foi realizada uma reunião entre autoridades afegãs e a comunidade internacional, na qual foi discutida como será realizado o apoio ao país nos próximos anos, uma vez que a retirada da Otan está programada para 2014.

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Retirada estrangeira

Questionada sobre uma possível modificação do calendário de retirada das tropas por causa dos atentados desta terça-feira, a ministra da Defesa interina da Espanha, Carme Chacón, confirmou que a retirada das tropas espanholas do Afeganistão começará em janeiro, já que Karzai decidiu sobre a transferência de autoridade ao país.

"Começará a retirada, como tínhamos previsto, dos militares espanhóis do Afeganistão", afirmou durante um congresso de Deputados em Madri para celebrar o Dia da Constituição. A ministra interina disse que a transferência de autoridade ao Afeganistão estipulada por Karzai é uma boa notícia para a Espanha.

Com Reuters, AP e EFE

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