Bombardeio de Israel, lançado após disparo de foguetes por palestinos, acontece enquanto Israel e palestinos negociam em Jerusalém

Um palestino morreu e outros três ficaram feridos após um ataque da Força Aérea israelense contra um túnel que era utilizado para o contrabando no sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito, disseram fontes médicas.

Palestinos são vistos ao redor de cratera aberta por ataque aéreo de Israel contra túnel de contrabando em Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito
AP
Palestinos são vistos ao redor de cratera aberta por ataque aéreo de Israel contra túnel de contrabando em Rafah, na fronteira da Faixa de Gaza com o Egito
Fontes do hospital Abu Youssef al-Najar, na localidade de Rafah, no sul de Gaza, disseram que o alvo dos caças-bombardeiros F-16 era um túnel subterrâneo na região. Um porta-voz militar israelense, por sua vez, disse que o caso está sendo investigado.

O ataque aconteceu pouco depois de militantes palestinos dispararem pelo menos dez foguetes caseiros desde a Faixa de Gaza contra solo israelense, sem causar vítimas. Os disparos superam a média diária de dois foguetes normalmente lançados pelos palestinos, segundo o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky.

Uma fonte militar já havia alertado sobre um possível aumento da atividade armada a partir da Faixa de Gaza em consequência do atual processo de diálogo direto entre israelenses e palestinos , do período de férias em Israel e do fim do mês sagrado islâmico do Ramadã.

Segundo Nahum, o movimento Hamas tenta, com os disparos, provocar a retaliação de Israel, como aconteceu nesta quarta-feira. Com a morte de civis, o Hamas espera forçar o presidente palestino, Mahmud Abbas, do partido laico Fatah, a suspender as negociações.

Hamas e Hezbollah

O Hamas domina a Faixa de Gaza desde 2007, quando expulsou as forças do Fatah do território. Com estimados 1,5 milhão de membros, o Hamas indica se opor à paz e se nega a reconhecer a existência do Estado judeu. Nesse sentido coincide com o grupo xiita Hezbollah, do Líbano, e com o Irã. Os três são aliados.

Se as negociações mediadas pelos EUA produzirem um acordo, provavelmente ele será rejeitado pelo Hamas. Portanto, na melhor das hipóteses será uma paz parcial por não abranjer todos os palestinos, já que o Hamas não reconhece Abbas como seu interlocutor.

Alerta na Jordânia

Nesta quarta-feira, o governo dos Estados Unidos recomendou aos americanos que evitem viajar a Ácaba, na Jordânia, pelo temor de que sejam lançados ataques suicidas. A Jordânia não participa das negociações diretas de Israel e palestinos, cuja segunda rodada foi iniciada na terça-feira no Egito e prossegue nesta quarta-feira em Jerusalém.

Após o diálogo entre Abbas e Netanyahu no Egito, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, parecem ter saído animados, apesar de não se saber todos detalhes do encontro.

Depois do prosseguimento das negociações em Jerusalém, a sequência do diálogo será assumida por delegações da absoluta confiança de cada lado. O objetivo é alcançar a proclamação do Estado palestino e reconhecimento de Israel como Estado judeu.

Sabe-se que Netanyahu considera possível concluir o acordo dentro de um ano, prazo previsto por Obama, que se prepara para tentar a releição, em 2012. Se o pacto for alcançado, terá um grande efeito sobre o eleitorado americano. Mas até lá existem grandes obstáculos entre as diferentes posições e expectativas de Netanyahu e Abbas.

*Com EFE e nformações de Nahum Sirotsky, de Israel

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