Mísseis que teriam sido supostamente disparados por tropas dos Estados Unidos mataram pelo menos oito estudantes nesta quinta-feira em uma escola religiosa no noroeste do Paquistão, segundo uma testemunha. A testemunha disse à BBC que a escola, no Waziristão do Norte, é próxima da residência do fugitivo taleban Jalaluddin Haqqani.

Pelo menos dois mísseis teriam sido disparados por aeronaves não-tripuladas americanas.

O Exército paquistanês está investigando o incidente. O governo americano não comentou o assunto.

O ataque aconteceu poucas horas depois de o Parlamento do país adotar uma resolução unânime pedindo ao governo para defender sua soberania e expulsar combatentes estrangeiros da região.

A resolução também pede que o governo paquistanês não permita o uso do seu território para lançar ataques a outros países.

Mortes de civis

Testemunhas disseram à BBC que os mísseis destruíram quase metade de um prédio escolar na área de Dande Darpakhel, próximo de Miranshah, a principal cidade do Waziristão do Norte.

Pelo menos oito pessoas morreram no ataque. Ainda não está claro se há combatentes estrangeiros entre os mortos. Os residentes disseram que a maioria dos feridos eram estudantes do seminário.

O complexo residencial do rebelde taleban Jalaluddin Haqqani já foi alvo de outro ataque com míssil. Na ocasião, mais de dez pessoas morreram.

A região do Waziristão do Norte é conhecida por abrigar refugiados do Taleban e da Al-Qaeda que lutam no Afeganistão.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos lançaram diversos ataques contra alvos na região de fronteira do Afeganistão.

Segundo relatos da imprensa local, alguns destes ataques provocaram mortes de civis. Dados levantados pelo escritório da BBC no Paquistão indicam que pelo menos 80 pessoas morreram no último mês em ataques americanos nas regiões do Waziristão do Norte e do Sul.

Os Estados Unidos não têm confirmado ou negado as mortes. O presidente paquistanês Asif Ali Zardari tem dito que ele não vai tolerar violações do território do país.

Leia mais sobre Paquistão

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.