BRUXELAS - Duas crianças e um adulto foram mortos a facadas nesta sexta-feira. Um homem com problemas psiquiátricos invadiu uma creche de Dendermonde, noroeste da Bélgica, e também feriu gravemente outros dez menores e dois funcionários do local.


O homem, que tinha faixas brancas e pretas pintadas no rosto, entrou na creche e se dirigiu à área dos bebês. Em seguida, usando uma faca, começou a apunhalar as crianças indiscriminadamente.

Três pessoas - um adulto e duas crianças - morreram, uma delas após ser levada para o hospital. Na hora do ataque, 18 crianças e seis funcionários estavam na creche.

Além disso, dez crianças e dois adultos ficaram feridos gravemente após serem esfaqueados várias vezes, mas nenhum deles corre risco de morte, de acordo com as autoridades locais e regionais.


Policiais isolam a área próxima à creche / AP

O agressor, segundo as primeiras informações, tem um histórico de doenças psiquiátricas, fugiu montado em uma bicicleta, mas foi detido em um supermercado de um bairro vizinho.

Durante a detenção, o homem ficou ferido e precisou ser internado em um hospital da cidade de Alost. Logo em seguida, a polícia recebeu permissão para começar o interrogatório, com a intenção de apurar os motivos do ataque.

Em uma posterior entrevista coletiva, o procurador Christian Du Four disse que o agressor "É um belga de 20 anos, que não é de origem estrangeira. Ele não fugiu de uma instituição psiquiátrica, e não estava sob o efeito de álcool ou drogas", desmentindo os rumores que rondavam o autor do massacre.

"Ele não disse nada sobre os fatos", acrescentou Du Four, recusando-se por enquanto a revelar a identidade do suspeito.

Tensão

As primeiras informações sobre a tragédia geraram momentos de grande tensão na creche. Pais aterrorizados foram até o local para tentar verificar se os filhos estavam feridos.

A consternação dos pais e familiares se estendeu a toda a Bélgica, horrorizada com um ataque brutal contra crianças indefesas.

"O país está novamente escandalizado e de luto por este ato abominável de violência", disse o primeiro-ministro, Herman van Rompuy, em comunicado, no qual expressou compaixão aos pais e às famílias das vítimas.

Desde o primeiro momento, as autoridades se esforçaram para que as vítimas e seus familiares recebessem ajuda médica necessária e que também fossem atendidas por psicólogos. Além disso, foi instalado um centro de crise para organizar a assistência e fornecer informações aos parentes.


Foto não-datada mostra o interior da creche / AFP


A ministra da Saúde, Veerle Heeren, se mostrou satisfeita com a forma como a ajuda foi organizada, mas pediu uma investigação para verificar como o homem conseguiu entrar na creche.

"Depois, teremos que estudar se devemos adotar novas medidas de segurança ao regulamento sobre os maternais", explicou Heeren, que advertiu, no entanto, de que estes "já são muito rígidos, e não podemos transformar uma creche em uma prisão".

Jef Vermassen, um advogado com experiência em casos de homicídio, destacou na rádio flamenga que "o motivo para um massacre semelhante sempre é vingança, frustração e ódio", e destacou que o fato de que a ação fosse dirigida contra crianças pode ter como motivação uma frustração pessoal.

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