Ataque a bomba mata cientista nuclear do Irã, diz TV estatal

Autoridades culpam Israel e EUA por atentado que matou Mostafa Ahmadi Roshan, funcionário de usina de enriquecimento de urânio

iG São Paulo |

Um cientista nuclear e professor universitário iraniano foi morto em Teerã na explosão de uma bomba instalada em seu carro, afirmou nesta quarta-feira a TV estatal do Irã. As autoridades do país culparam Israel e os Estados Unidos pelo atentado.

O cientista foi identificado como Mostafa Ahmadi Roshan, que trabalhava na usina de enriquecimento de urânio de Natanz. De acordo com a mídia iraniana, os agressores se aproximaram do carro onde ele estava e acoplaram uma bomba à lataria usando um imã.

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AP
Imagem divulgada por agência estatal iraniana mostra carro alvo de ataque sendo removido em Teerã

Outras duas pessoas estavam no veículo e foram levadas ao hospital. Segundo a agência AP, uma delas morreu. Um pedestre de 85 anos que passava perto do veículo teria ficado ferido.

Roshan, 32 anos, era químico e trabalhava no desenvolvimento de camadas poliméricas para a separação de gases. Ele também atuava como vice-diretor para assuntos comerciais da usina de Natanz, a mais importante do Irã.

O vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Rahimi, afirmou que o ataque não vai deter o "progresso" do programa nuclear do país e disse que a morte do cientista é uma "prova do terrorismo patrocinado por governos estrangeiros".

"A bomba era de tipo magnética e semelhante àquelas usadas anteriormente para assassinar cientistas, e isso é obra dos sionistas (israelenses)", disse o vice-governador de Teerã, Safarali Baratloo, segundo a agência semioficial de notícias Fars.

No passado, o Irã acusou as agências de espionagem de Israel, EUA e Reino Unido de participarem de uma campanha terrorista contra alvos nucleares, que incluiria três assassinatos desde 2010.

Além disso, os países estariam por trás de um vírus de computador conhecido como Stuxnet, que em 2010 atrapalhou o funcionamento de algumas centrífugas em instalações iranianas.

Uma explosão similar há dois anos, no dia 12 de janeiro de 2010, matou o físico e professor Masoud Ali Mohammadi, da Universidade de Teerã. Ele morreu na explosão de uma moto que estava perto de seu carro, quando se preparava para ir ao trabalho. De acordo com a agência de notícias semi-oficial Mehr, Roshan planejava participar de uma cerimônia em homenagem a Mohammadi na tarde desta quarta-feira.

Em novembro de 2010, um ataque a bomba matou o cientista nuclear Majid Shahriari, que era colaborador da Organização de Energia Atômica do Irã. E em julho de 2011, atiradores que estavam em uma moto mataram Darioush Rezaeinejad, um estudante de Eletrônica suspeito de participar de supostas tentativas iranianas de desenvolver armas nucleares.

O ataque acontece em meio à crescente tensão entre o Irã e os EUA, que recentemente impuseram sanções mais duras contra o país persa por seu programa atômico. Washington acredita que o governo iraniano tem objetivos militares, e não pacíficos.

Nesta segunda-feira, diplomatas e a Agência Internacional de Energia Atômica confirmaram um relatório de que o Irã começou a enriquecer urânio em um bunker subterrâneo na instalação de Fordo, perto da cidade sagrada xiita de Qom, uma medida que aumenta os temores entre as autoridades americanas e europeias sobre as ambições nucleares do Irã.

Em resposta às últimas sanções americanas, o Irã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz , uma importante rota marítima para os carregamentos de petróleo. Na segunda-feira, um americano de origem iraniana foi condenado à morte no país persa por espionagem, também elevando as tensões.

Com AP, Reuters e BBC

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