Ataque a base da CIA testa avaliação dos EUA sobre Al Qaeda

Por Adam Entous WASHINGTON (Reuters) - A revelação de que um agente duplo ligado à Al Qaeda pode ter cometido o atentado da semana passada contra uma base da CIA no Afeganistão sugere que o grupo teria atingido um novo grau de sofisticação e não pode ser enfraquecido como as autoridades dos EUA imaginavam.

Reuters |

Funcionários de inteligência aposentados e da ativa disseram nesta terça-feira que a CIA lançou uma abrangente investigação sobre a inédita violação da segurança, sobre como o suposto homem-bomba Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi foi recrutado pela inteligência jordaniana e se outros agentes a serviço dos EUA também podem ser infiltrados.

Ex-funcionários de inteligência dizem que várias pistas estão sendo investigadas, como a possível ligação entre o homem-bomba e a rede do comandante afegão do Taliban Jalaluddin Haqqani, que é um dos principais alvos da CIA.

Balawi foi recrutado pela inteligência jordaniana para tentar se infiltrar na Al Qaeda e no Taliban, em grande parte devido à sua ligação com militantes islâmicos no passado, disse um ex-agente. De acordo com ele, Balawi chegou a ser assíduo em sites e blogs pró-Al Qaeda.

Agências de espionagem dos EUA e da Jordânia achavam que Balawi havia sido "desradicalizado" com sucesso e, por isso, ele podia entrar na base da CIA sem passar por revistas especiais, já que durante meses ele havia apresentado informações úteis sobre a Al Qaeda, disse o ex-agente.

Parentes disseram que Balawi, médico, era membro de um grande clã de beduínos palestinos radicado em Zarqa, reduto do radicalismo islâmico da Jordânia, onde muitos palestinos pobres se instalaram depois da criação de Israel, em 1948. Ele tinha uma clínica num miserável campo de refugiados, segundo a família.

A CIA não quis comentar as investigações sobre o ataque, o segundo mais letal na história da agência. O ataque --num raro caso de um blogueiro islâmico que age diretamente de forma espetacular-- pode reforçar a propaganda da Al Qaeda e inspirar outros.

Sete agentes e contratados da CIA morreram no atentado suicida da quarta-feira passada na Base Avançada de Operações Chapman, uma instalação fortificada na província de Khost, perto da fronteira com o Paquistão.

(Reportagem adicional de Suleiman al-Khalidi em Amã)

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