Ataque a academia de Polícia mata pelo menos 26 no Paquistão

(correção) (atualiza número de mortos, declarações oficiais e novas informações, como o cerco policial à academia atacada) Islamabad, 30 mar (EFE).- Um comando terrorista tomou hoje uma academia de Polícia próxima a Lahore, no leste do Paquistão, após atacá-la, matando pelo menos 26 agentes e ferindo cerca de 90, informou à Agência Efe o inspetor-geral da Polícia do Punjab, Khalid Farouk.

EFE |

Eles haviam se escondido em uma mesquita próxima à academia, na qual entraram dois pontos diferentes, vestidos com uniformes policiais, levando mochilas e com o rosto coberto, informou a imprensa paquistanesa.

Na academia, em Manawan, a cinco quilômetros da capital da província do Punjab, Lahore, havia aproximadamente 500 cadetes, que, em sua maioria, não estavam armados.

Os terroristas -entre 10 e 15, segundo testemunhas- abriram fogo contra os policiais, lançaram diversas granadas e tomaram como reféns um número indeterminado de cadetes, que no momento do ataque faziam seus exercícios matinais, entre 7h e 8h locais (22h às 23h de ontem, pelo horário de Brasília).

Membros do Exército e policiais de elite cercaram a academia e começaram a entrar nela, o que deu início a novos tiroteios.

Segundo diferentes meios de comunicação locais, eles teriam conseguido matar dois terroristas, que compõem um comando Fedayin (paramilitar islâmico, "os que se sacrificam", em árabe).

Farouk acrescentou à Efe que um dos terroristas foi preso.

Um policial ferido disse à emissora "Express TV", que 60 e 70 agentes morreram e que cerca de 100 ficaram feridos durante o ataque, números que até agora não foram confirmados oficialmente.

A área está isolada e alguns cadáveres e feridos foram levados a hospitais próximos, nos quais se declarou estado de emergência.

Helicópteros da Polícia estão sobrevoando o local e foram atingidos por tiros dos terroristas, alguns dos quais subiram ao terraço da academia, segundo a emissora "Geo TV".

O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari e o primeiro-ministro, Yousef Raza Guilani disseram que utilizarão toda a força até conseguir neutralizar os terroristas.

Ambos ordenaram que se abra imediatamente uma investigação sobre os detaçhes do ataque e que se mantenha a vigilância aérea do local até que o bando seja dominado.

Em declarações à "Geo TV", o ministro do Interior, Rehman Malik, apontou grupos terroristas islâmicos paquistaneses como os responsáveis, embora não descarte alguma intervenção estrangeira.

Malik disse que a ação faz parte da onda de violência atravessada pelo Paquistão e que tem origem na conflituosa região noroeste do país, onde talibãs e membros da rede terrorista internacional Al Qaeda se escondem.

O ministro ressaltou que os homens que atacaram a academia estavam bem treinados e preparados, e "com o objetivo de desestabilizar o país".

O ataque, segundo ele, lembra o atentado que no final de novembro matou 179 pessoas na cidade indiana de Mumbai, e pelo qual a Índia acusa o grupo caxemiriano Lashkar-e-Toiba (LeT), com base no Paquistão.

Há pouco mais de um mês, a cidade de Lahore foi o cenário de outro atentado, contra o comboio da seleção de críquete do Sri Lanka executado por um comando terrorista, cujos integrantes permanecem foragidos.

"Os ataques estilo Fedayin, como o de Mumbai, estão já consolidados no Paquistão. Estes terroristas estão dispostos a morrer", advertiu à Efe uma fonte de inteligência ocidental. EFE igb/jp

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