Assunção desperta com brados da esquerda para posse de Lugo

Por Mario Andrada e Silva ASSUNÇÃO (Reuters) - O centro da capital do Paraguai foi despertado por gritos de guerra clássicos da esquerda. O povo unido jamais será vencido, Evo querido, o povo está contigo, gritavam jovens carregando bandeiras, tradicionais e vermelhas.

Reuters |

O centro estava cercada nesta sexta-feira por forças de segurança desde a noite anterior. Mesmo assim o clima era absolutamente tranquilo. Assunção seguiu a sugestão do principal jornal do país, ABC Color. Bandeiras tricolores eram vistas por todos os edifícios.

O ABC Color, porém, veio com a primeira página em preto e branco. Sem fotos ou manchetes. O jornal preferiu um editorial de primeira página sob o título 'Acabar com o roubo de Argentina e do Brasil ao Paraguai'.

O texto cita o assessor especial da Presidência brasileira para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a quem o novo governo paraguaio teria entregue uma lista de seis reivindicações, quase todas centradas na 'disponibilidade livre da energia gerada por Itaipu para que seja comercializada em outros mercados a um preço justo'.

Hoje o Paraguai vende o excedente da energia que recebe da usina binacional ao Brasil. Assessores do presidente Lugo têm dito à mídia que o Paraguai quer vender sua energia por um preço sete vezes maior do que o atual.

Antes de sair de casa para o dia mais importante da sua vida, o presidente eleito agradeceu a predisposição dos países vizinhos de sentar para conversar. Lugo disse no discurso que espera uma negociação com objetividade e solidariedade.

Fernando Armindo Lugo Mendes chega ao poder com 93 por cento de popularidade, segundo a pesquisa mais recente. Nove presidentes latino-americanos e mais o príncipe Felipe de Bourbon e o presidente de Taiwan acompanharam a posse do novo presidente do Paraguai na praça em frente ao Congresso Nacional.

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou para a cerimônia de posse, populares o saudaram aos gritos de 'Itaipu, Itaipu'.

Lugo chegou vestindo uma camisa branca bordada típica Aoboi. Sem gravata ele gritou 'Eu Juro', quando fez o juramento protocolar. E no primeiro discurso de presidente foi claro.

'Hoje termina um Paraguai exclusivo, segregacionista, com fama de corrupção', disse o novo presidente, avisando a seu país e à região que sua missão no poder é lançar a semente de um novo projeto de Paraguai.

'Hoje começa a história de um Paraguai onde as autoridades serão implacáveis com os ladrões do povo', afirmou o novo presidente, 51.

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