Associação de imprensa afegã culpa Isaf por morte de jornalista sequestrado

Cabul, 10 set (EFE).- O Clube de Imprensa do Afeganistão (MCA, na sigla em inglês) culpou hoje a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês) pela morte de um jornalista afegão na operação militar de resgate de um repórter do jornal The New York Times, no norte do país.

EFE |

"As forças internacionais são responsáveis pela morte de Sultan Munadi, porque recorreram a uma ação militar antes de esgotar outras vias não violentas", afirmou a MCA, em um duro comunicado emitido hoje em Cabul.

A operação, executada por um comando da Isaf, aconteceu na madrugada de quarta-feira, quatro dias depois que o repórter britânico Stephen Farrell foi sequestrado junto a Munadi, por um grupo talibã na região de Kunduz, no norte do Afeganistão.

Em sua versão do ocorrido, Farrell explicou que Munadi saiu a um pátio gritando "jornalista, jornalista", mas foi recebido com tiros e morreu, enquanto ele se jogou no chão, sem poder identificar quem efetuou os disparos.

Durante a operação, um soldado britânico também morreu, cujo corpo foi transportado junto com Farrell, enquanto Munadi ficou abandonado no terreno após os combates.

"Não há justificativa para as tropas internacionais devolverem o cadáver de um soldado morto, mas deixar para trás o cadáver de Munadi", criticou a organização. A MCA considerou a ação "desumana".

Os jornalistas afegãos, segundo a MCA, são "vítimas dos jogos políticos" no país, e, além disso, são prejudicados, já que os jornalistas estrangeiros sequestrados "são libertados por qualquer razão" em alguns casos.

Farrell e Munadi, que também estava exercendo a função de tradutor do britânico, estavam na região para fazer uma investigação sobre o bombardeio efetuado por aviões da Isaf contra dois caminhões de gasolina roubados pelos talibãs, que causou a morte de vários civis, segundo diferentes fontes.

Ambos foram sequestrados por um grupo talibã que irrompeu na zona quando entrevistavam vários aldeões que moram perto do ocorrido.

Hoje, a MCA pediu aos jornalistas nacionais e internacionais que se unam a um silêncio informativo de três dias contra a informação divulgada pelos talibãs, em protesto pelo sequestro dos dois repórteres. EFE lo-daa/pd

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