Associação argentina rompe contrato de transmissão de jogos de futebol

O porta-voz da Associação de Futebol Argentino (AFA), Ernesto Cherquis Bialo, anunciou, nesta terça-feira, o rompimento do contrato em vigor que dá os direitos de transmissão dos jogos às emissoras da rede Televisão Satelital Codificada (TSC), que representa as emissoras a cabo. Segundo Bialo, a decisão do comitê executivo foi unânime.

BBC Brasil |

"Com a presença dos representantes de todos os clubes e categorias, acaba de ser decidido o fim, a rescisão do contrato televisivo", disse.

Bialo disse ainda que a AFA está "aberta a futuras negociações" para vender os direitos de transmissão "pelo que vale o futebol".

O acordo entre a AFA e as emissoras de televisão a cabo estava em vigor há dezoito anos. Segundo o porta-voz, caso tenha que responder na Justiça pela rescisão, a "AFA assumirá todas as responsabilidades legais" e não os clubes.

Campeonato
O acordo entre a AFA e a TSC foi assinado nos anos 80 e terminaria em 2014. A negociação rendia cerca de 270 milhões de pesos anuais à AFA.

O valor, no entanto, foi considerado limitado pelo presidente da Associação, Julio Grondona, poucos dias após ser conhecido que 17 dos 20 clubes da primeira divisão têm dívidas milionárias. A situação levou a AFA a suspender o início do campeonato nacional, chamado Apertura, que estava marcado para esta sexta-feira.

O porta-voz da AFA disse, nesta terça, que o torneio começará no próximo dia 21.

"A AFA e os clubes estão prontos para iniciar o campeonato no dia 21", disse.

Estado
Durante a entrevista desta terça-feira, Bialo foi evasivo sobre a informação divulgada pela imprensa local de que a AFA decidiria pela rescisão para assinar um contrato com o governo da presidente Cristina Kirchner.

Segundo a imprensa local, o acordo com o Estado permitiria que os jogos fossem transmitidos pela TV estatal e ainda pelas emissoras privadas. Ainda de acordo com a imprensa, o Estado pagaria três vezes mais do que o contrato com as emissoras a cabo - ou seja, cerca de 600 milhões de pesos anuais.

"Desconheço se o Estado vai cumprir algum papel, o que seria normal e permitido. Mas até agora o Estado não cumpre nenhum papel".

"Pode ser o Estado, pode ser uma empresa privada do exterior ou uma mescla. Mas eu não sei. Só sei que a AFA está aberta a negociações", afirmou.

No final de semana, em uma entrevista ao jornal argentino Critica, Grondona comentou a possibilidade de um acordo com o governo.

"Se você tem um marido que te bate e te entrega 200 pesos para viver, o ano inteiro, e vem outro que te ama com loucura e chega para te passar o que você está pedindo, com qual você ficaria?", disse Grondona ao jornal.

A possibilidade de acordo com o governo provocou críticas da oposição e declarações do ministro da Economia, Amado Boudou.

"Acho que o futebol não deve ser sustentado [pelo Estado], mas sim democratizado. Acho também que a paixão do povo também merece atenção", disse.

Alguns analistas esportivos sugerem que se a AFA e o governo chegassem a um acordo, as emissoras América TV e TN (Todo Noticias) iriam compartilhar os possíveis ganhos com a publicidade gerada pelo futebol.

Rompimento
O porta-voz da AFA disse ainda que foi a TSC quem rompeu o contrato, e não a AFA.

"A empresa TSC rompeu o contrato e foi acabando os afetos entre os sócios. Pela quantidade de televisões a cabo no país, de pessoas que pagam por isso, e pela transmissão dos jogos ao exterior, o dinheiro pago pela transmissão não correspondia", afirmou Bialo.

Segundo ele, o futebol argentino está realizando as mudanças para ter campeonatos mais competitivos e de melhor qualidade, sem que seja necessária a venda de jogadores ao exterior para equilibrar as contas dos clubes.

Ele destacou que a AFA "votará a ser solidária" com os clubes endividados e vai resgatar os clubes financeiramente antes mesmo do início do campeonato.

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