Assessores de Obama querem mais tropas no Afeganistão

Por Adam Entous e Arshad Mohammed WASHINGTON (Reuters) - Muitos assessores do presidente dos EUA, Barack Obama, concordam com a avaliação dos comandantes militares de que seria preciso enviar mais reforços ao Afeganistão para reverter os avanços do Taleban no leste e sul do país, disseram autoridades norte-americanas na segunda-feira.

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Mas há preocupação dentro da Casa Branca sobre a pertinência política de ampliar ainda mais a presença militar no Afeganistão num momento em que diminui o apoio popular ao conflito, iniciado há quase oito anos, disseram os funcionários, pedindo anonimato.

Comandantes militares, membros do governo e lideranças parlamentares realizam discussões preliminares sobre o futuro das tropas, o que inclui um segundo regimento de 5.000 marines ao sul do Afeganistão, reduto do Taleban, segundo os participantes. Isso elevaria o número de marines no país de pouco mais de 10 mil atualmente para entre 15 e 18 mil.

O debate deve se intensificar depois da entrega, na segunda-feira, de um relatório do general Stanley McChyrstal, comandante das forças dos EUA e da Otan no Afeganistão.

McChrystal pediu aos EUA e a seus aliados que alterem sua estratégia, o que segundo fontes oficiais pode levar a um posterior aumento do contingente.

O general tem cerca de 103 mil soldados sob seu comando, sendo 63 mil norte-americanos, metade dos quais são parte dos reforços que vinham sendo enviados desde o governo de George W. Bush e foram intensificados no de Obama. Até o final do ano, esse número deve chegar a 110 mil, sendo 68 mil norte-americanos, o que segundo fontes militares esgotará os recursos das forças armadas.

Fontes civis dos EUA disseram que outros aumentos dependerão em parte do ritmo em que será possível retirar brigadas do combate do Iraque para redirecioná-las para o Afeganistão.

Outro fator importante, segundo essas fontes, seria um eventual esforço de Obama para reverter a queda do apoio popular à guerra, num momento em que os EUA sofrem seu maior número de baixas no conflito.

Dentro do Partido Democrata (governista), deve crescer a pressão sobre o governo pela apresentação de um cronograma para a retirada conforme se aproximem as eleições parlamentares de 2010.

"Há uma grande conscientização na Casa Branca (...) de que o apoio no público está realmente diminuindo," disse uma fonte.

Outro funcionário declarou que o governo Obama ainda não conseguiu preparar a população para aquilo que muitos assessores vêem como uma elevação inevitável do contingente.

"A questão não é só se é possível estabelecer um rodízio em número suficiente para retirar (tropas) do Iraque," disse a fonte. "O que o governo tem de fazer é garantir politicamente a preparação de terreno para isso. Meias medidas não vão funcionar. Não funcionaram no passado."

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