Assessores de McCain e Obama divergem sobre comércio exterior

Por Doug Palmer WASHINGTON (Reuters) - O candidato democrata à Casa Branca Barack Obama pretende ampliar a pressão sobre a China e outros paises que violam regras comerciais, e dará menos ênfase à conclusão de novos tratados caso seja eleito, disse uma representante da sua campanha na quarta-feira.

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"Temos de ver uma mudança material nos recursos dentro do USTR (Departamento de Representação Comercial dos EUA)", disse Lael Brainard, especialista licenciada do Instituto Brookings, cobrando uma defesa mais incisiva das regras já existentes.

Ela enfrentou Philip Levy, pesquisador do Instituto da Empresa Americana, num debate sobre as posições de Obama e de seu rival republicano, John McCain, nas questões de comércio exterior, que podem ter peso decisivo em Estados estratégicos como Ohio.

McCain teria como prioridade concluir a Rodada Doha do comércio global, iniciada em 2001, e obter aprovação do Congresso para acordos comerciais já definidos com Colômbia, Coréia do Sul e Panamá, segundo Levy.

Brainard afirmou que o presidente George W. Bush negociou desde 2001 "um monte de acordos comerciais" que geraram poucos benefícios para a classe média norte-americana.

Nesse período, os EUA passaram a mover menos processos contra terceiros países por violações das regras da Organização Mundial do Comércio -- de uma média de 11 por ano no governo Bill Clinton para 3 por ano.

Com base na expansão do comércio global e do número de países filiados à OMC, "era de se esperar 17 casos por ano", disse Brainard, que trabalhou no governo Clinton.

Mas Levy, ex-consultor econômico de Bush, questionou se o número de processos movidos na OMC é um critério para avaliar o cumprimento das regras, pois algumas disputas podem ser resolvidas "por meio de uma diplomacia rápida e discreta, o que me pareceria dramaticamente superior".

CHINA, DOHA

Brainard também criticou o governo Bush por tolerar a manipulação do câmbio pelo governo chinês, que estaria mantendo o yuan artificialmente desvalorizado para ajudar suas exportações e desestimular o acesso dos EUA e outros ao enorme mercado do país asiático.

"Não podemos dar à China passe-livre para manter uma moeda desvalorizada. Fizemos isso por cerca de sete anos", disse a especialista, acrescentando que o eventual governo Obama usará "as autoridades existentes e todos os meios diplomáticos ao seu alcance" para pressionar Pequim.

Levy concordou que o yuan está excessivamente desvalorizado e que isso é um problema para os EUA em longo prazo. Mas, diante da crise financeira, seria "uma hora um pouco estranha para punir os chineses por mandarem capital para cá".

"Acho que há margem de negociação aqui. Acho que o que o senador McCain tentaria é tomar medidas que sejam eficazes para o povo norte-americano. Começar uma guerra comercial com a China provavelmente não se encaixa nesse projeto."

Na opinião dele, o fracasso definitivo da Rodada Doha "colocaria a OMC sob sério risco de irrelevância ou, ainda pior, uma lenta decadência".

Na sua apresentação, Brainard não citou a Rodada Doha, mas em resposta a uma pergunta afirmou que Obama lamentou o fracasso de uma reunião ministerial, em julho, na qual havia expectativa de conclusão. "Vai levar um tempo para entendermos como voltar", disse ela.

Obama é contrário ao acordo bilateral de livre-comércio com a Colômbia por entender que Bogotá não faz o suficiente para evitar o assassinato de sindicalistas. Com relação à Coréia do Sul, ele quer uma renegociação para obter termos melhores para as montadoras de automóveis dos EUA.

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