Brasília, 5 ago (EFE).- O general reformado James Jones, assessor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, admitiu hoje no Brasil que a negociação para o uso de bases militares colombianas por parte de tropas de seu país poderia ter sido melhor.

Jones, que se reuniu hoje com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, insistiu em que o acordo negociado com a Colômbia prevê somente a luta contra o narcotráfico e garantiu que não porá em risco a soberania de nenhum país da região.

O general assegurou a jornalistas que os EUA "respeitam a soberania territorial de cada país" e tentam se relacionar com a América Latina "de uma maneira nova, aberta e transparente".

No entanto, admitiu que o acordo discutido com a Colômbia, que suscitou polêmicas na região, "provavelmente poderia ter sido melhor", uma opinião que escutou das autoridades brasileiras e que levará para Washington.

Jones lembrou que a relação no âmbito militar com a Colômbia "já tem muito tempo" e assegurou que "nada mudou" e nem mudará com o acordo atualmente em negociação, que permitiria o uso de até sete bases militares em solo colombiano pelos EUA para a luta contra o terrorismo e o narcotráfico.

O assessor do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também ressaltou que seu país "não tem bases na Colômbia" e nem as terá com esse acordo. Além disso, insistiu em que as negociações são sobre o uso delas para ações contra o tráfico de drogas.

As conversas sobre este acordo com os EUA foram um dos motivos que levaram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a "congelar" as relações de seu país com a Colômbia e retirar a todo o pessoal diplomático venezuelano de Bogotá.

Segundo fontes oficiais, o ministro Amorim reiterou em sua reunião com Jones a "preocupação" que a possível presença de tropas estrangeiras na Colômbia causou no Brasil.

Amorim também sugeriu a possibilidade de que EUA e Colômbia ofereçam algum tipo de "garantia formal" sobre o uso que será dado às bases.

O chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, faz uma viagem por diversos países da América do Sul para explicar as negociações com os EUA. Ele deve chegar amanhã a Brasília, onde será recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. EFE ed/bba

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