Assessor da presidência reinterpreta declarações de Lula sobre eleições no Irã

BRASÍLIA ¿ O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, voltou a minimizar nesta quarta-feira as declarações dadas em Genebra, na semana passada, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a eleição iraniana que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad no último dia 12.

Carollina Andrade, repórter em Brasília |

O presidente Lula disse uma coisa simples, um comentário banal no qual foi dado uma transcendência maior, que é normal que em uma eleição os vencedores celebrem e o perdedores se queixem, disse o assessor após almoço por ocasião da visita da presidente Filipina, Gloria Arroyo, no Palácio do Itamaraty.

De acordo com Marco Aurélio, a posição que o governo brasileiro adotou desde o início em relação ao assunto é semelhante a posição que outros governos, com relação mais estreita com o Irã, adotaram.  Não vale a pena nós nos metermos em situações internas que produzam efeito contrário àquilo que nós buscamos; que é o restabelecimento da democracia e respeito aos direitos humanos.

Garcia ressaltou, contudo, que a posição do Brasil é de prudência e, não de indiferença. Nós estamos lamentando a situação de violência lá no Irã como nós lamentamos a situação de violência em outras partes do mundo. Não é porque houve 11 mortes que lamentamos o que aconteceu, se tivesse havido uma só morte no Irã o governo brasileiro estaria muito sensível a isso como está, completou.

O assessor destacou ainda que não há nenhuma razão pela qual o governo brasileiro e o presidente Lula tivesse uma simpatia particular pelo atual presidente ou pela oposição. Os valores, os traços da política são muito diferentes dos nossos. Não se procura estabelecer nenhuma associação entre os valores que o governo do Irã defende e as posições das políticas externas brasileiras, disse.

Na semana passada, o presidente Lula saiu em defesa da vitória eleitoral de Ahmadinejad e atribuiu as manifestações contra os resultados a "protestos de quem perdeu", fazendo uma comparação com torcidas de futebol . Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos., disse Lula na ocasião.


Por Carollina Andrade


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