Assessor chinês defende corte em emissão de gases

Por Chris Buckley PEQUIM - A China deveria adotar os objetivos internacionais para diminuir a emissão de gases do efeito estufa, afirmou um dos principais conselheiros do governo chinês, rompendo de forma surpreendente com a postura oficial do país.

Reuters |

Hu Angang, professor de políticas públicas na Universidade Tsinghua (Pequim), afirmou que, se a China não agir dessa forma, as negociações mundiais sobre as mudanças climáticas podem fracassar.

Em pareceres enviados a líderes chineses e em um ensaio recente, Hu argumentou que a China poderia auferir lucros econômicos e diplomáticos se prometesse cortar as emissões dos setores industrial, agrícola e de transportes.

"É do interesse da China aceitar metas de emissão dos gases do efeito estufa. Isso não é algo que interessa apenas ao resto do mundo", afirmou Hu à Reuters em uma entrevista concedida no domingo.

"A China é um país em desenvolvimento, mas é um país muito especial, com a maior população, um alto padrão de consumo de energia e, mais cedo ou mais tarde, com o maior grau de emissão de gases do efeito estufa. Sendo assim, trata-se aqui de uma frente de batalha comum à qual precisamos aderir."

Os argumentos de Hu devem alimentar o debate sobre a postura da China em meio às negociações para selar um pacto mundial do clima capaz de substituir o Protocolo de Kyoto, que deixa de vigorar em 2012.

A China insistiu que, na qualidade de país em desenvolvimento com uma média relativamente baixa de emissão de gases do efeito estufa por pessoa, ela precisa primeiro crescer para só depois aceitar as metas. Segundo o governo chinês, os países ricos, responsáveis pela maior parte das emissões, precisam liderar os esforços.

Mas muitos especialistas e políticos do Ocidente argumentam que a China tem de aceitar limites mensuráveis de emissão a fim de que outros grandes responsáveis pela poluição também se comprometam com os esforços.

Hu reconheceu que o apoio às metas é minoritário na China.

Mas o professor, que ajudou a ditar os rumos das políticas ambiental e social do país asiático, disse que sua postura ganharia maior respaldo quando se tornassem mais claros os danos resultantes do aquecimento global e os benefícios advindos do corte nas emissões.

"Eu sempre comecei como minoria e acabei como maioria", disse.

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