Assentamentos judaicos ocupam 42% da Cisjordânia, diz ONG

Um quinto (21%) das colônias judias estão erguidas sobre terras que Israel reconhece como terrenos privados palestinos

iG São Paulo |

Os assentamentos judaicos representam 42% do território palestino ocupado da Cisjordânia, segundo indica nesta terça-feira em documento a organização israelense de direitos humanos B'Tselem.

Reuters
Assentamento israelense é visto de Ofra é visto perto da vila palestina de Silwad, na região de Ramallah

Um quinto (21%) das colônias judias estão erguidas sobre terras que Israel reconhece como terrenos privados palestinos, em contraposição com aquelas parcelas que o Estado judeu qualifica como "terrenos do Estado" embora, segundo a legislação internacional, toda a Cisjordânia faça parte dos territórios ocupados em 1967.

Os dados oficiais assinalam que as zonas de construção dos assentamentos cobrem cerca de 1% da Cisjordânia, mas a ONG israelense revela que seus limites jurisdicionais superam 42% da superfície do território.

Israel aceitou em 2004 o plano de paz do "Mapa de Caminho", pelo qual se comprometia a congelar a construção nos assentamentos. No entanto, na prática e até o fim do ano passado, a população nas colônias judias cresceu 28%, de 235.263 a 301.200 residentes, sem incluir Jerusalém Oriental, destaca a B'Tselem.

Na parte oriental de Jerusalém, onde os palestinos pretendem estabelecer a capital de seu futuro Estado e foi que foi anexada por Israel após 1967, residem atualmente 190 mil israelenses, segundo dados da organização israelense Paz Agora.

O crescimento da população em 2008 nas colônias foi três vezes superior ao da média da população de Israel, e desde que foi iniciado o processo de paz de Oslo, em 1993, o número de colonos triplicou, explica o relatório.

A legislação internacional considera todos os assentamentos israelenses construídos em território ocupado na Guerra de 1967 (Cisjordânia, Gaza, Jerusalém Oriental) ilegais e entende que supõem um sério obstáculo para a paz e o estabelecimento de um futuro Estado palestino.

Terrenos privados

Pouco mais de 20% das áreas em que foram construídas as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada são terrenos privados pertencentes a palestinos, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira.

"Um total de 21% das áreas em que foram construídos 121 assentamentos e uma centena de postos avançados na Cisjordânia são terrenos que Israel reconhece como propriedade privada de palestinos", destaca a ONG.

"Os principias métodos utilizados por Israel são a requisição do terreno por necessidades militares, a declaração ou registro como terreno de Estado e a desapropriação por razões públicas", explica a B'Tselem.

Encontro de Netanyahu com Obama

O informe foi publicado no dia em que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deve se reunir na Casa Branca com o presidente Barack Obama .

Os dois vão conversar sobre a eventual ampliação da moratória de 10 meses para as construções nas colônias, que o governo israelense ordenou em novembro e que expira no fim de setembro.

Em novembro do ano passado, sob pressão dos Estados Unidos, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aprovou uma moratória de 10 meses da colonização judaica na Cisjordânia ocupada para favorecer a retomada do processo de paz com os palestinos.

Na última visita de Netanyahu à Casa Branca, realizada no momento em que Israel anunciou a ampliação do assentamento em Jerusalém Oriental, Obama se recusou a permitir que uma foto do encontro de ambos fosse divulgada.

* Com AFP e EFE

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