Assentamentos judaicos devem dominar reunião entre Abbas e Obama

O recente anúncio feito pelo governo israelense de que expandirá os assentamentos judaicos na Cisjordânia deverá ser um dos principais assuntos do primeiro encontro entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o líder americano, Barack Obama, nesta quinta-feira, em Washington. Na avaliação de líderes políticos e analistas palestinos ouvidos pela BBC Brasil, Abbas deverá esclarecer que a retomada das negociações de paz por parte da Autoridade Palestina depende do fim das construções dos assentamentos - consideradas por palestinos como o principal obstáculo para o processo de paz.

BBC Brasil |

O governador do distrito de Belém e um dos principais líderes do Fatah, Salah Tamari, disse à BBC Brasil que espera "que o presidente Obama pressione (o primeiro-ministro israelense Binyamin) Netanyahu a parar totalmente a construção de assentamentos".

"Espero que durante seu encontro com Abu Mazen (como é chamado Mahmoud Abbas), Obama deixe muito claro que se opõe energicamente à ampliação dos assentamentos e que suas palavras sejam traduzidas em atos", afirmou Tamari.

A declaração de Tamari foi feita poucas horas após a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmar que o governo de Obama é contra "qualquer construção nos assentamentos, inclusive moradias destinadas ao crescimento natural".

Israel
O governo israelense já rejeitou a exigência americana e afirmou que seria "desumano" não construir moradias para as novas gerações dos colonos israelenses que moram nos assentamentos.

"Não pretendemos dar conselhos ao presidente Obama, mas ele certamente sabe o que pode fazer para exercer pressão sobre o governo israelense", afirmou Tamari.

"Esperamos que Obama entenda o alto custo desses assentamentos para os interesses americanos no Oriente Médio, e que é chegado o momento de interromper a construção", acrescentou.

"O governo americano sabe exatamente o que deve fazer se quer ganhar credibilidade não só junto aos palestinos, mas também do mundo árabe e islâmico".

"Esperamos que o novo presidente americano seja firme e justo", concluiu.

Desde a assinatura do acordo de paz de Oslo, entre palestinos e israelenses, em 1993, a população dos colonos israelenses na Cisjordânia cresceu de quase 100 mil habitantes para 300 mil, além dos mais de 200mil israelenses que moram na parte oriental de Jerusalém.

Expectativa
Para o jornalista palestino Nasser Laham, a distância entre as esperanças dos palestinos e a realidade sobre a atuação do governo Obama, "é enorme".

Laham, editor-chefe da agência de notícias palestina Maan, disse à BBC Brasil que "Obama não vai exercer pressões concretas sobre Netanyahu".

"Quando os americanos elegeram Obama ficamos muito otimistas, mas depois de seu encontro, na semana passada, com Netanyahu, sentimos uma certa frustração", disse Laham.

"Segundo minha avaliação o governo americano não vai decretar sanções contra o governo israelense, apesar de sua recusa de parar a construção de assentamentos", acrescentou.

Para Laham, "existem apenas duas possibilidades, ou o governo de Netanyahu cai ou vai haver uma nova onda de violência na Cisjordânia".

"Estou muito pessimista e espero estar enganado", concluiu o jornalista palestino.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG