Assembléia Parlamentar da Otan pede mudanças no Afeganistão

Valência (Espanha), 14 nov (EFE).- O presidente da Assembléia Parlamentar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), José Lello, disse hoje que a chegada de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos representará um aumento do número de militares no Afeganistão.

EFE |

No entanto, alertou que isto deve ser acompanhado por uma mudança da estratégia política.

A 54ª Assembléia Parlamentar da Otan acontecerá até a próxima terça-feira em Valência, onde mais de 300 delegados de 50 países abordarão questões como a situação no Afeganistão, as relações entre Rússia e Geórgia, a situação econômica mundial e a redefinição da organização da Aliança Atlântica.

Lello, que participou de uma entrevista coletiva junto com o secretário-geral da Assembléia, David Hobbs, destacou que a chegada de Obama à Casa Branca criou "grandes expectativas".

O presidente da Assembléia Parlamentar da Otan lembrou que durante a campanha eleitoral, o novo presidente americano ressaltou "a necessidade de estabilizar o Afeganistão", e se mostrou convencido de que isto será acompanhado por um aumento do número de militares na região, que hoje supera os 55 mil.

Lello reconheceu a importância da presença militar para "criar um ambiente de estabilidade apropriado para a solução dos problemas sociais, políticos e econômicos" do país asiático, mas afirmou que o Afeganistão "não é só um problema militar. É, sobretudo, um problema político".

Por este motivo, insistiu na necessidade de que haja uma "mudança de estratégia" que envolva uma adaptação da "presença militar ao desafio que se apresenta", e onde há problemas de tipo governamental ou de tráfico de drogas.

Lello destacou também que outros organismos internacionais, como as Nações Unidas ou a União Européia (UE), devem se envolver nesta solução.

"Todos os membros da Assembléia apóiam a resolução do problema político e social" existente no Afeganistão, afirmou, e explicou que neste cenário "a presença militar é importante para criar elementos que ajudem a chegar a uma solução pacífica baseada no respeito aos direitos".

O chefe da delegação espanhola na Assembléia Parlamentar da Otan, Jesús Cuadrado, que lembrou dos dois últimos soldados espanhóis mortos no Afeganistão, disse que "o importante é se projetar uma estratégia política para resolver o problema de segurança dos afegãos e do mundo inteiro".

O presidente da Assembléia Parlamentar da Otan também se referiu às relações com a Rússia, que será "elemento central" dos debates abordados em Valência, e que neste momento está em um "nível de dificuldade", reconheceu.

Apesar disso, mostrou sua esperança em que sejam encontradas "vias e caminhos" para avançar "em questões que são de interesse comum", apesar das diferenças, como a situação na Geórgia ou em países da zona dos Bálcãs.

O embaixador russo na Aliança Atlântica, Dmitri Rogozin, anunciou ontem que não iria à Valência para assistir à Assembléia Parlamentar da Otan, pois recebeu uma resposta dos dirigentes deste organismo comunicando-lhe que não poderia discursar.

No entanto, a Assembléia convidou o líder georgiano, Mikhail Saakashvili, para discursar na próxima terça-feira na sessão de fechamento.

As reuniões das diferentes comissões da Assembléia Parlamentar começarão amanhã, e entre os discursos estão previstos os do ministro de Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e o do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato. EFE cra/fh/jp

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