Assembléia latino-americana ignora protesto do Peru sobre grupo guerrilheiro

Álvaro Mellizo Lima, 1 mai (EFE).- A II Assembléia Euro-latino-americana (Eurolat) evitou se pronunciar sobre a polêmica em torno do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) e concluiu hoje em Lima dando sinal verde à agenda da Cúpula da América Latina e Caribe-União Européia (ALC-UE) que será realizada no Peru entre 15 e 17 de maio.

EFE |

O MRTA havia chamado a atenção da assembléia parlamentar, iniciada na terça-feira passada, depois que a Eurocâmara se recusou a pedir sua inclusão na lista de organizações terroristas da União Européia (UE), como o Peru pretendia.

Com a omissão do caso na declaração final, o Eurolat enfatizou seu apoio à agenda da V Cúpula ALC-UE, que abordará a luta contra a pobreza e a defesa do meio ambiente.

O que aconteceu, no entanto, foi um documento paralelo às resoluções finais proposto pelos deputados peruanos que participaram da reunião, no qual os grupos popular e socialista europeus e membros dos Parlamentos latino-americano e centro-americano solicitaram que a Eurocâmara reconsiderasse sua decisão sobre o MRTA.

O eurodeputado socialista espanhol Luis Yáñez explicou hoje à Agência Efe que esta carta paralela, que "não tem caráter oficial porque não foi votada nem debatida em assembléia", será enviada ao Parlamento Europeu (PE) para sua consideração.

Segundo o co-presidente do Eurolat, o parlamentar do Grupo do Partido Popular Europeu e dos Democratas Europeus, Ignacio Salafranca, afirmou que esta carta será amparada no Velho Continente "com a máxima disposição e abertura", junto à delegação peruana que irá à Bruxelas para pedir que o MRTA seja considerado uma organização terrorista.

Essa situação satisfez os legisladores peruanos, como o vice-presidente do Parlamento Andino, Wilbert Bendezú. Ele considerou que foi evitada a inclusão de uma votação oficial com relação ao MRTA no Eurolat por se tratar de "um trâmite embaraçoso".

Para Bendezú "o mais importante é que a maioria dos blocos do PE apóia este pedido de consideração".

A resolução final aprovada pelos 120 membros do Eurolat, 60 deputado europeus e 60 procedentes dos Parlamentos Andino, Latino-americano e Centro-Americano, pretende que os líderes que participarem da V Cúpula ALC-UE consigam avanços no desenvolvimento econômico e social sustentável.

Neste sentido, os parlamentares pediram aos líderes continentais que insistam na "busca urgente de medidas para enfrentar a alta dos preços" e "estabelecer medidas concretas para alcançar os Objetivos do Milênio".

Além disso, solicitaram o estabelecimento de um diálogo "sistemático sobre migração nos quais as questões relativas à imigração ilegal e as possibilidades de migração legal ocupem um lugar prioritário".

Os parlamentares do Eurolat também pediram medidas para melhorar "o insustentável modelo atual de consumo energético" e solicitaram "a redução substancial dos subsídios agrícolas à exportação" que distorcem o comércio.

O fórum intercontinental aprovou, além disso, com a rejeição de representantes da direita européia, uma moção na qual é solicitado o desenvolvimento de políticas que favoreçam a saúde e a educação sexual.

O conflito fronteiriço entre Colômbia e Equador foi analisado pela assembléia, que emitiu uma declaração na qual foi pedido aos líderes dos dois países que busquem de maneira "conjunta e imediata" o restabelecimento de suas relações diplomáticas e que aprofundem "um diálogo aberto e sincero".

Para o eurodeputado Luis Yáñez, a sessão plenária do Eurolat constituiu um encontro "satisfatório" cujos debates foram "densos e tensos, com grande participação dos parlamentares e com muita qualidade nos discursos e nas propostas".

Segundo Yáñez, a próxima sessão do Eurolat ocorrerá na Europa, mas o local ainda não foi determinado.

O Eurolat foi criado em novembro de 2006 e realizou a I Reunião Ordinária Plenária em dezembro de 2007 em Bruxelas. EFE amr/bm/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG