Assembleia Geral da ONU se junta às pressões para cessar-fogo em Gaza

Nações Unidas, 15 jan (EFE).- A Assembleia Geral da ONU se uniu hoje ao clamor internacional a favor da declaração de um cessar-fogo que ponha fim a 20 dias de violência na Faixa de Gaza, onde mais de mil de palestinos já morreram.

EFE |

Os 192 países que integram o órgão legislativo da ONU iniciaram uma reunião de urgência de dois dias para discutir a grave situação no território palestino e apoiar a ordem dada pelo Conselho de Segurança (CS) em 8 de janeiro para que cessem as hostilidades na região.

"Nós, as Nações Unidas, devemos nos unir às pessoas que no mundo todo fizeram suas vozes serem ouvidas e empreenderam ações para pôr fim à morte e à destruição", disse o presidente da Assembleia Geral, o nicaragüense Miguel D'Escoto.

Na última terça-feira, a pedido do Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), o ex-chanceler da Nicarágua decidiu convocar uma reunião em virtude do descumprimento da resolução 1.860, na qual o CS exigiu um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.

Fontes diplomáticas disseram à Efe que há vários projetos de resolução em circulação entre os membros da Assembleia, nos quais, em linhas gerais, é feito um apelo para que os ataques aos palestinos sejam interrompidos.

Alguns países pediram ao escritório de D'Escoto que se encarregue de redigir um texto de consenso para que o mesmo seja aprovado amanhã, no segundo e último dia da reunião, acrescentaram as mesmas fontes.

O início formal do encontro desta quinta teve que ser adiado em alguns minutos em virtude dos protestos da delegação israelense, que pôs em dúvida a autoridade da Assembleia para tratar de um conflito que ainda está sendo discutido no CS.

"Eu gostaria que Israel fosse tão meticuloso na hora de cumprir as resoluções aprovadas nos últimos 40 anos", respondeu D'Escoto, cujas relações com a embaixadora israelense na ONU, Gabriela Shalev, são tensas.

Por causa de um incidente em dezembro passado com a diplomata, o Comitê Judaico Americano (AJC) exigiu que o ex-chanceler da Nicarágua parasse de atacar Israel ou abandonasse a Presidência da Assembleia.

Em seu discurso, D'Escoto afirmou que a meta da reunião deveria ser aumentar a pressão sobre as partes para que deixem de ignorar a resolução, apesar de tê-la considerado insuficientemente firme e explícita na cobrança de um cessar-fogo.

Além disso, declarou que o texto emprega uma "linguagem ambígua" quando diz que o fim das hostilidades deve ser durável e imediato e criticou o fato de o documento não pedir a total suspensão do bloqueio que Israel impõe à Faixa de Gaza desde junho de 2007.

Nesse contexto, acusou o Quarteto de Madri (ONU, Rússia, EUA e União Europeia) de ter apoiado o bloqueio israelense a Gaza, mesmo este sendo um castigo coletivo contrário às leis internacionais.

Por isso, perguntou se a ONU "não deveria rever seu papel no Quarteto" e refletir como pôde, "com pleno conhecimento e quase deliberadamente, violar os princípios fundamentais do direito internacional".

Por sua vez, o representante da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na ONU, Riad Mansur, disse em seu discurso que "o firme apoio e a resposta humanitária e moral da comunidade internacional" aumenta seu convencimento de que "esta crise terminará em breve e que a justiça triunfará".

"É preciso levar a cabo todos os esforços possíveis para garantir que Israel cumpra com suas obrigações como potência ocupante e como Estado-membro da ONU", disse.

Mansur advertiu que os países árabes estão dispostos a recorrem de novo ao CS para que, sob o capítulo 7ª Carta da ONU, que autoriza o uso da força, o Governo israelense seja obrigado a acatar a resolução 1.860.

Por sua vez, o embaixador de Cuba na ONU, Abelardo Moreno, em nome dos 118 países que integram o Noal, condenou "a agressão levada a cabo por Israel contra a população civil palestina" em Gaza.

Em particular, citou os ataques sofridos pela ONU na região, como o de hoje contra uma das sedes da organização.

"A brutal agressão militar israelense constitui uma grave infração ao direito internacional (...) e causa um sofrimento imenso à população palestina", acrescentou. EFE jju/sc

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