Assembleia Geral da ONU pede que assistência ao Haiti seja redobrada

Nações Unidas, 22 jan (EFE).- A Assembleia Geral das Nações Unidas pediu hoje que a ajuda aos desabrigados pelo terremoto no Haiti seja redobrada, garantindo assim que o país supere a catástrofe e retorne com maior ímpeto ao caminho do desenvolvimento econômico.

EFE |

Os 192 membros da organização mundial adotaram duas resoluções nas quais se expressa solidariedade com o povo haitiano e se pede para prestar mais atenção no combate aos efeitos dos desastres naturais nas nações pobres.

"Sinto-me orgulhoso da resposta da ONU. Em raras vezes a comunidade internacional reagiu com tanta solidariedade e com tanta rapidez perante tantas dificuldades", disse em seu discurso o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

"Dito isto, apesar de nossas melhores intenções, há muita gente que não recebeu a ajuda que necessita com urgência", acrescentou.

O principal responsável da ONU lembrou que três milhões de pessoas precisam de ajuda de algum tipo, cerca de dois milhões carecem de alimentos e pelo menos um milhão ficou sem casa.

Por isso, a prioridade continua sendo proporcionar atendimento médico aos feridos e doentes, água, alimentos, refúgio e serviços sanitários, acrescentou.

Ao mesmo tempo, ressaltou a importância de começar a olhar "além da situação de emergência" para abordar as tarefas de reconstrução e promoção do desenvolvimento econômico do país mais pobre da América.

Ban acrescentou que o terremoto pode ser "uma oportunidade" para construir um país melhor que conte com um Governo eficiente, um Estado de direito e uma economia que proporcione trabalhos.

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Vioti, corroborou a mensagem do secretário-geral e lembrou que o Haiti vai precisar de ajuda a longo prazo para sua reconstrução.

"O povo e o Governo do Haiti devem contar com que a solidariedade da comunidade internacional permaneça depois que a atenção da imprensa mundial se transferir para outros assuntos", acrescentou Maria Luiza na apresentação das resoluções.

A primeira resolução exorta todos os Estados-membros da ONU a que "prestem apoio rápido, sustentável e suficiente ao trabalho de socorro, recuperação inicial, reabilitação, reconstrução e desenvolvimento do Haiti".

Além disso, pede para responder ao pedido de US$ 560 milhões em ajuda para o Haiti lançada no dia 15 de janeiro pelas Nações Unidas, que, por enquanto, só recebeu US$ 195 milhões e promessas de outros US$ 112 milhões.

A segunda resolução patrocinada pelo Sudão, em nome da União Africana (UA), ressalta a preocupação da Assembleia com o grave impacto dos desastres naturais nos países mais pobres do planeta.

Por isso, solicita prestar uma maior atenção no campo do desenvolvimento às tarefas de combate a catástrofes como terremotos, furacões e secas.

Por sua parte, o embaixador do Haiti, Leo Mérores, agradeceu "a onda de solidariedade recebida pelo povo haitiano nestes dias" e expressou suas condolências pelo falecimento de funcionários da missão da ONU em Porto Príncipe, que perdeu pelo menos 70 de seus membros e outros 146 estão com paradeiro desconhecido.

Já foram enterradas 80 mil pessoas, outras 200 mil estão feridas e mais de um terço dos quase nove milhões de habitantes do país foi afetado pelo tremor, acrescentou.

O embaixador da Espanha na ONU, Juan Antonio Yáñez-Barnuevo, em nome da União Europeia (UE), tomou também a palavra para destacar a importância de "garantir a segurança adequada no terreno que permita assegurar o acesso e a distribuição da ajuda sem dificuldades".

O diplomata também lembrou que até agora foram canalizados US$ 172 milhões em assistência humanitária e foram prometidos outros US$ 140 milhões para as tarefas de recuperação e reconstrução.

A reunião na Assembleia Geral também serviu para que alguns países latino-americanos expressassem sua suspeita por causa do forte desdobramento militar realizado pelos Estados Unidos no Haiti após o desastre.

"Preocupa-nos que se aborde a situação no Haiti como um assunto militar e não humanitário", disse em seu discurso o embaixador da Bolívia, Pablo Solón, pedindo para saber sob que mandato as tropas americanas no país se encontram.

Além disso, ele pediu para "superar o neocolonialismo e o intervencionismo, que em grande parte são responsáveis pela situação no Haiti".

Washington mobilizou cerca de 12 mil soldados para participar da operação "Resposta Unificada" de ajuda ao Haiti.

A missão é completada pelos navios de assalto anfíbio "Bataan", "Carter Hall" e "Fort McHenry", o de transporte "Gunston Hall", o porta-aviões "Carl Vinson" e o hospital "Comfort". EFE jju/ma

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