Nações Unidas, 7 abr (EFE).- A Assembleia Geral da ONU convocou hoje uma reunião de alto nível de 1º a 3 de junho em sua sede de Nova York para estudar os efeitos da crise econômica global e promover a reforma da arquitetura financeira internacional.

Os 192 países-membros do organismo aprovaram, por consenso, a realização da conferência de três dias na qual devem participar chefes de Estado e de Governo, além de analistas e responsáveis de agências das Nações Unidas.

"Agora temos a oportunidade e a responsabilidade de buscar soluções que levem em conta o interesse de todos os países, sejam grandes ou pequenos, ricos ou pobres", disse o presidente da Assembleia Geral, Miguel D'Decoto.

A proposta de convocar esta reunião partiu dos participantes da Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento de Doha, que aconteceu na capital catariana no final de 2008.

D'Decoto ressaltou que fará uma série de viagens para estimular a presença do maior número de chefes de Estado possível.

Os países em desenvolvimento que formam o chamado Grupo dos 77 mais a China já se comprometeram a participar ao máximo nível, segundo o comunicado da ONU.

Além disso, o ex-chanceler nicaraguense indicou que distribuirá, no começo de maio, uma minuta aos membros da Assembleia para iniciar as negociações sobre o documento que será adotado no fim da reunião de junho.

O texto terá como ponto de partida o relatório sobre a crise econômica global apresentado em 26 de março à Assembleia Geral por um grupo de economistas liderado pelo Nobel de Economia americano Joseph Stiglitz.

No documento, eles recomendam à ONU que promova uma transformação completa da arquitetura econômica global para superar a atual crise financeira e evitar que se repita.

Entre as medidas contempladas está a troca do dólar como a moeda de comércio internacional e a substituição do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) por um novo Conselho Econômico Global no qual se incluam os interesses de todas as economias mundiais.

Os especialistas apostam em impor restrições internacionais que evitem o aumento exagerado dos bancos e a adoção de limites nas transações bancárias aos paraísos fiscais.

Também querem criar um novo sistema internacional de reservas de capital que não esteja dominado pelos países mais ricos, como é o caso atualmente do Fundo Monetário Internacional (FMI). EFE jju/db

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