Fernando Muñoz. Medellín (Colômbia), 25 mar (EFE).- A Assembleia dos Povos, um fórum alternativo à 50ª Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), denunciou hoje, em Medellín (Colômbia), que este organismo perdeu US$ 2 bilhões por investir parte de suas reservas em ativos subprime no mercado dos Estados Unidos.

Em entrevista coletiva, os membros do fórum alternativo pediram ao presidente do BID, Luis Alberto Moreno, a renunciar ao cargo devido a sua "incapacidade de tramitar" os recursos do maior promotor de obras públicas na América Latina.

O secretário-executivo da Rede Brasil sobre instituições financeiras multilaterais, Gabriel Strautman, disse que, quando o BID soube da perda de US$ 2 bilhões de suas reservas, impulsionou uma nova capitalização.

"O BID sabe de uma perda de US$ 2 bilhões por ter investido em subprimes e, por isso, impulsiona uma campanha de arrecadação de fundos a nossos Governos", disse.

O brasileiro questionou assim o sentido de os países-membros do BID colocarem seu dinheiro nessas instituições financeiras "que causaram ao longo de suas existências impactos sócio-ambientais irreversíveis".

Moreno disse na terça-feira, em entrevista coletiva realizada em Medellín, que apresentará aos 48 governadores do BID um projeto para capitalizar a instituição pela nona vez em seus 50 anos de história.

O BID registrou uma perda líquida operacional de quase US$ 1 bilhão no ano fiscal de 2008, devido, fundamentalmente, ao grande peso em sua carteira de investimentos de ativos respaldados com hipotecas, que desabaram no último ano e meio.

Uma avaliação independente afirma que os ativos respaldados com hipotecas chegaram a ter um peso de 60% na carteira da entidade.

No entanto, o diretor-geral de Finanças do BID, Ed Bartholomew, disse à Agência Efe, em Washington, que esse número "nunca foi mais de 52%, nível alcançado no final de 2006".

Com esta polêmica, começaram hoje os atos oficiais prévios à 50ª Assembleia de Governadores do BID, em um dia destinado a impulsionar projetos produtivos dirigidos aos jovens da América Latina.

Moreno visitou um projeto de cafeicultores que o BID apoia há dois anos nas cercanias de Medellín que busca conter o êxodo de camponeses para as cidades e incentivar os jovens no cultivo do grão.

O BID entregou US$ 6 milhões em créditos para este projeto, e a Federação Nacional de Cafeicultores busca agora um novo empréstimo de US$ 10 milhões para iniciar a segunda fase.

"Vamos solicitar ao BID uma contribuição (...), um crédito que temos certeza que o Governo apoiará no valor de US$ 10 milhões", disse o gerente da federação, Gabriel Silva.

Moreno formalizou também o maior crédito para um projeto de tratamento de águas residuais na história do BID, no valor de US$ 450 milhões para as Empresas Públicas de Medellín (EPM), que financiará a construção de uma unidade de águas residuais.

Segundo o gerente da firma colombiana, Federico Restrepo, será a mais moderna unidade de tratamento de águas residuais da América Latina.

O crédito permitirá completar também o programa de despoluição do rio Medellín.

A 50ª Reunião Anual do BID acontecerá entre 27 e 31 de março, em Medellín, enquanto a Assembleia dos Povos ocorre em paralelo, sob o lema "BID.50: 50 Anos Financiando as Desigualdades". EFE fer/an

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