VALÊNCIA - A 54ª Assembléia Parlamentar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) terminou nesta terça-feira com um pedido aos países-membros da entidade para que redobrem seus esforços no Afeganistão e com a reprovação à Rússia por sua atuação desproporcional na Geórgia.

A Assembléia que reúne parlamentares de países da Otan e convidados contou nesta ocasião em sua sessão de encerramento com a presença do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, que deseja uma futura integração à Aliança Atlântica. Discursaram também o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, e a primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega.

Saakashvili aproveitou seu discurso para reivindicar às potências européias que não considerem a "invasão" de seu país pela Rússia em agosto como um "caso isolado", pois caso contrário "toda a Europa" poderia chegar a sofrer situações como a registrada em seu território.

O conflito entre Rússia e Geórgia causou as maiores divergências registradas nos quatro dias de sessões da Assembléia, já que a resolução finalmente aprovada foi alvo de diversas emendas em relação às causas que levaram ao confronto militar.

O texto estipulado insta os Estados-membros a que, se baseando nos Acordos de Genebra, encontrem uma solução "duradoura" para o conflito entre Geórgia e Rússia pelas regiões da Ossétia do Sul e da Abkházia, evitando o reconhecimento da independência das mesmas.

Os parlamentares da Aliança instaram também as autoridades de Moscou a respeitarem a soberania territorial dos países da região.

De Hoop Scheffer fez alusão também à Rússia para dizer que a Otan deve "revisar" suas relações com este país após seu "desproporcional" uso da força com a Geórgia, mas não cessá-las, porque constituem o "melhor ativo estratégico que requer a segurança internacional".

Este foi um dos cinco âmbitos que, segundo Scheffer, precisam de uma "nova perspectiva" da Aliança Atlântica ante a atual realidade mundial, junto com seu posicionamento militar, a estratégia no Afeganistão, a resposta ante desafios como a pirataria e a necessidade de que a sociedade conheça seu trabalho.

Sobre a reconstrução do Afeganistão, onde alguns setores sociais "questionam" a estratégia da Otan, Scheffer afirma que devem ser "redobrados" os esforços no desenvolvimento civil e econômico do país, por meio do apoio às autoridades e a implicação da população.

Perguntado sobre uma possível negociação entre o governo afegão e os talibãs, disse que o conflito requer uma "solução política" e que para isto "é necessário sentar e conversar".

Leia mais sobre: Otan

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.