Montecristi (Equador), 25 jul (EFE).- A Assembléia Constituinte do Equador entregou hoje ao Supremo Tribunal Eleitoral um projeto de Carta Magna, concebido, segundo seus autores e promotores, para mudar o país e levá-lo à sua independência definitiva.

O presidente da Assembléia, Fernando Cordero, assegurou que o texto constitucional, que deve ser referendado pela população antes de entrar em vigor, não responde a interesses particulares, mas foi pensado para todo o povo.

Por isso, Cordero disse estar convencido de que, no referendo de 28 de setembro, o povo aprovará o projeto constitucional, porque, em sua opinião, é como construir "a casa de todos".

"Esta é uma casa de ar, água, terra, fogo, os elementos essenciais da concepção do mundo andino", acrescentou Cordero, após ressaltar que o novo texto fundamental é feito "para mudar a história" do Equador.

"Hoje terminou o passado; hoje começa o Equador do futuro", afirmou em seu discurso que pôs um fim no trabalho da Assembléia, que esteve reunida nos últimos oito meses em Montecristi, na província litorânea de Manabí (oeste do país).

Durante seu discurso, Cordero chamou o presidente do TSE, Jorge Acosta, e entregou a ele o projeto constitucional, em meio a aplausos.

Na cerimônia de entrega esteve presente o presidente do Equador, Rafael Correa, que destacou a "maturidade política sem comparação na história" do país demonstrada com a redação de uma Carta Magna que, segundo disse, é "participativa e abrangente" e vai servir como mecanismo para "deixar para trás o neoliberalismo".

Embora tenha indicado que "foram filtrados os erros" no texto, ressaltou que se trata de um acordo nacional e transparente e pediu aos equatorianos para manterem-se unidos para "superar o arremedo de democracia" que, segundo ele, o país viveu no passado.

Correa expressou sua esperança de que a mesma proporção de votos que aprovou o texto na Assembléia (94-32) ocorra no referendo.

O chefe de Estado assegurou que o que aconteceu hoje é "um passo decisivo" para conseguir a "segunda e definitiva independência", e advertiu que a nova Constituição representa "os desejos de milhões de cidadãos", sobretudo dos que foram marginalizados no passado.

Correa, que se declarou cristão de esquerda, se dirigiu contra a oposição de direita, acusada por ele de tentar "boicotar" o processo de mudança realizado por seu Governo.

"Os opositores estão desesperados, e essa é a maior prova de que esta Constituição mudará a realidade deste país", acrescentou.

Além disso, começou a replicar as críticas da oposição sobre o projeto constituinte, que, segundo previu, serão os argumentos dos que promoverão o "não" na consulta de 28 de setembro.

"Sim, e mil vezes sim, no referendo", disse Correa, ao considerar que a nova Constituição promove a "democracia real".

A primeira vice-presidente da Assembléia, Aminta Buenaño, destacou o esforço dos 130 constituintes da assembléia que integram a Constituinte, no trabalho de elaboração do texto constitucional, o qual, entre outras novidades, permite a reeleição presidencial por apenas uma vez.

"Redigimos uma Constituição escutando a voz cidadã", disse Buenaño, ao lembrar que mais de 3.500 propostas da população foram recebidas desde que os constituintes da assembléia começaram sua tarefa.

Ele assegurou que o projeto presume "uma Constituição, inclusiva, participativa e profundamente democrática", dirigida especialmente às crianças e jovens, que "representam o futuro do país". EFE fa/bm/gs

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