Assassinos de testemunha de crimes da ditadura argentina negam fim político

Buenos Aires, 4 abr (EFE).- Os dois acusados pelo assassinato de Silvia Suppo, vítima da repressão e testemunha-chave em julgamentos de crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura militar argentina (1976-1983), confessaram a autoria mas negaram que o crime tenha fins políticos.

EFE |

Silvia, de 51 anos, foi encontrada morta a facadas na segunda-feira em sua loja na localidade de Rafaela, na província de Santa Fé, 540 quilômetros ao norte de Buenos Aires.

A Polícia começou então uma investigação para estabelecer se ela foi vítima de um assalto ou de uma vingança por sua condição de testemunha em vários julgamentos contra pessoas de Santa Fé acusadas de crimes de lesa-humanidade.

Em dezembro, Silvia foi testemunha em um processo judicial em que o ex-juiz Víctor Brusa foi condenado a 21 anos de prisão por obrigar a pessoas presas pelo regime militar a assinar declarações obtidas sob tortura.

Atualmente ela estava a frente de uma ação pelo desaparecimento de seu companheiro Reinaldo Hammeter, sequestrado em janeiro de 1977.

Dois suspeitos do assassinato de Silvia foram detidos na quarta-feira na cidade de Santa Fé, capital da província homônima - Rodrigo Sosa, de 19 anos, e seu primo Rodolfo Cóceres, de 22.

Embora a princípio um deles tenha se negado a fazer declarações, durante o interrogatório os dois coincindiram em dizer que entraram na loja de Silvia a fim de roubar o local e acabaram matando a comerciante para evitar que ela os delatasse, indica hoje a agência "Télam".

Apesar da confissão, o fiscal Rodolfo Zender afirmou que se trata de um "fato repulsivo" e que não abandonará o caso até que "não fique nenhuma dúvida". EFE ea/pb

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